20081226

10.000 iens

Ah... noite passada fui a Osaka encontrar meu bom amigo Hamish, o qual conhece indie/alternativo tanto quanto eu ou mais, pela sua idade. Ao que meu retorno procedeu, não mais havia trem ate a parte de Kyoto onde por ora me adereço. Então, ao chegar na estacao limite do ultimo trem, dei-me por infeliz e de ma-sorte e retrocedendo a ideia inicial de caminhar quilometros na fria noite invernal, tomei o fim de uma fila para táxis. Notei no entanto que me encontrava deveras envergonhado para, como no Brasil, perguntar quem possivelmente iria rumo a um destino próximo ao meu, mas ao perguntar a um taxista, este o fez e portanto dividimos este táxi de um aparentemente embriagado senhor. Me acompanharam um homem com sacolas de compras e uma mulher de voz macia e amigável. Ao longo do caminho, como eh a tradição por estas bandas, perguntaram-me a origem e o propósito, ao que informei com grande cordialidade e embora não tanto quanto gostaria acrescentei comentários que faziam jus aos tópicos noturnos. O homem desceu a meio caminho, tendo pago sua parte. Seguimos adiante e o chofer havia me dito que poderia me levar mais perto de casa sem problemas, uma vez que minha proposta inicial era de deixar-me a quatro estacoes de distancia de casa, distancia que poderia eu percorrer sem problemas. Sua generosidade me deixou feliz, pois não seria necessário nenhum adicional, mas quando a senhora desceu do carro, deu uma nota de dez mil iens ao motorista e com um sorriso disse-me para continuar firme em meus estudos. Em minha surpresa não pude expressar mais agradecimentos do que ela permitiu e o taxista também apenas disse-me que meu dinheiro não era mais necessário e teceu comentários pertinentes quanto a generosidade e simpatia do povo japonês.

Naturalmente me senti bastante embaraçado, pois por estas bandas normalmente os estranhos são tratados com alguma indiferença, o que leva a crer em imparcialidade em todos os quesitos, me senti, creio mais envergonhado de possuir tal opinião acerca disto do que do fato de a bondosa mulher ter-me pago a viagem, inclusive dando mais dinheiro que o necessário para o chofer, que por sua vez também não demonstrou esforços para lhe devolver algum troco, aceitando a gorda nota sem pestanejar e deixando-me a dois passos de casa.

Nessa noite agradeci muito a Deus pela sua infinita bondade e desejei tudo o que eh de mais merecido aquela mulher que tão desapagadamente me salvou de um custo que sem duvida poderia afetar-me, uma vez que aqui o transporte eh um dos mais caros dos serviços básicos. Eis então a minha estoria que registro para que a bondade desta mulher não seja esquecida, pois eh comparável a generosidade presente nos contos dos irmãos Grimm, os quais compilaram grande parte das tradicionais historias da Alemanha em seu tempo e salvaram assim um patrimonio que ate hoje eh presente em cada historia para dormir de muitas das crianças do mundo.

Obrigado, gentil senhora, que a e a graça a acompanhem, pois tu as mereces com a mesma bondade e maior afeto do que me deste.

Neve em Kyoto

Hoje nevou aqui. Eu vi. Foi so por alguns momentos, mas eu vi. Depois se confundiu com chuva, mas um amigo confirmou, era neve. Floquinhos minusculinhos branquinhos caindo, contrastando com o asfalto e derretendo bem rapido. Isso foi tao chocante para mim quanto a primeira vez que a agua que sai do meu ar condicionado (no modo aquecer, eh logico) congelou... Abri a porta da varanda e la estava aquela poca de gelo, semi-transparente e arredondada como a agua tende a ser... Incredibelivablenitavel... Neve... Foi a minha primeira vez. E foi tao rapido...

20081211

American Splendor - outra review

Heh, essa eh a primeira review de filme aqui (perdoem a falta de acentos, meu teclado eh jp) e na verdade acho que a primeira review de um filme que faco publicamente. Passei um bom tempo desde meus 18 anos fazendo fanzines mas pensando agora acho que nao fiz nenhum ou nenhuma materia com respeito a filmes... Talvez por que eu seja da categorica opiniao de que eh um saco todo mundo se achar critico hoje em dia... Sabe, agora estou aqui, mas quando estava na minha cidade detestava os comentarios "tecnicos" e "imparciais" sobre filmes que o pessoal fazia. Esse negocio de discussao saudavel, quando envolve arte, eh tudo mentira, bullshit, うそ, nada de eu respeito sua opiniao, porra nenhuma, o que acontece mesmo entre melhores amigos eh uma sobreposicao de opiniao atras da outra... Anyway, melhor comecar a review de um dos filmes que eu mais gosto, American Splendor, traduzido como Anti-heroi Americano pelas brilhantes mentes da Gota Magica, Alamo, W/Brasil ou seja la quem fez a versao brasileira...

Provavelmente muita gente ja viu esse filme por que eh de 2003, mas aos que nao tiveram a chance ate agora (eu mesmo so vi em 2006, acho) o filme eh sobre Harvey Pekar, autor da HQ American Splendor, que comecou nos anos 70 com a ajuda do Crumb ("famoso" cartunista "underground" - note como as palavras nao combinam) que era amigo do Harvey... Basicamente o cara, um mal humorado trabalhador de hospital (fantasmas pairam sobre mim, ja trabalhei em hospital) que eh pessimista e tem uma vidinha de merda em Cleveland resolve um dia escrever roteiros pra HQ, influenciado pelo proprio jeito diferente de Crumb escrever, ele resolve contar os percalcos de sua vida... E da certo. Crumb adora e passa a apoiar o projeto, que tem uma otima recepcao por ser uma HQ completamente diferente. O filme conta tudo isso e outros eventos importantes da vida de Harvey (esposas, cancer, filha adotiva, etc.) alternando cenas com o verdadeiro H.P. e o ator Paul Giamatti e o pessoal que faz parte da vida dele.
Bom, o Paul G. esta brilhante, brilhante mesmo neste filme, ele consegue passar um cara como HP, mas ate pior, vendo o personagem real - que eh menos expressivo visualmente. O mau-humor eh onipresente, ate quando ele esta feliz, heh, eh otimo. A historia em si tambem eh boa, na verdade toda a falta de algo interessante na vida de Harvey eh o que faz ela interessante, as figuras que ele conhece (o impagavel Toby, um quase autista) e o seu modo de ver o mundo tao pessimista que eh engracado. Mas talvez seja justamente por essas coisas se passarem em HQs e em um filme que seja engracado, parece surreal... A vida real eh meio sacal... Acho que pra Harvey a vida nao deva ser tao legal quanto parece... Talvez seja bem monotona.

E claro, me lembrou do meu proprio tempo no hospital aonde eu trabalhava, as figuras que eu conheci cheias de tiques e chiliques, dos zeladores surtados as enfermeirinhas... dos medicos legais aos que fazia me lembrar os detestaveis alunos de medicina da UFAM (principalmente os de fora do Estado), das situacoes todas que eu passei, ver gente com um talho de meio palmo aberto na perna ou tendo convulcoes... heh. As vezes, por menos que eu gostasse de trabalhar la, nao por que era ruim, so por que eu ja havia me formado e queria trabalhar na minha area, eu gostei da experiencia, mas como American Splendor, eh muito mais interessante agora, na sintese do que na vida real. Anyway, esta aqui a review... Andei pensando seriamente em discutir outras coisas por aqui. Veremos.

Beijocas.

20081209

Here Comes The Sickness

Mudhoney vem ai! Na cidade vizinha eles vao tocar dia 16 de janeiro, ja estou providenciando ingresso. Engracado que eu soube disso quando estava me preparando pro show do Charlatans (que foi otimo por sinal) e estava novamente ouvindo o Superfuzz Bigmuff do Mud... Eh uma banda meio tosca, pelo menos nos albuns mais antigos (tenho que lembrar de procurar o novo) mas eh extremamente divertida, com a classissima "Touch Me I'm Sick" e "Into Yer Shtick" entre outras. Uma das coisas boas daqui eh que sempre tem bastante show, parece que alguem tem grana pra chamar essas bandas e nem sempre elas dao tanto dinheiro, a julgar pela quantidade de gente no show do Charlatans, por exemplo, mal dava pra pagar a passagem e o transporte de equipamento dos caras...

E ainda teve mais uma: Hamish, meu amigo de Osaka, o unico cara que realmente gosta de alternativo/indie/punk que eu conheci em todo esse tempo aqui veio por aqui e a gente deu umas bandas pelo centro, procurando uma livraria que ele viu em um anuncio. Quando encontramos a tal, la tinha uma revista americana, a Mojo exatamente com... 20 anos de SupPop na capa. Nao hesitei e comprei e acompanhando a materia principal esta: Mudhoney! Eles sao considerados a perola da SubPop e sem duvida sao. Depois de todos esse sinais, nada ira me impedir de ir ao show, touch me, I'm siiiiiiiiiiiiiiick!

20081208

Reading Trick #1

Asyousleepsandyourdreamsbreakdown
thesandinyoureyesbecameheavier
yourmusclesrelaxuntilyoufall
yourbrainturnsoffyouareout

In this Blog #2

We flow through each other
And I feel your body’s pulse
Your flesh nude warming
Your sweat cleaning my face

As a goddess you bless me tight
And your weight is so pleasant
You're a Venus flying up and down
I am your servant breathing loud

As close to the end we go
Stronger my heart beats
My lungs pump in despair
Every muscle paralyze

Finally as birds we fly free
Through the heaven and space
I lose my conscience with pleasure
We left our bodies lying in the bed

20081204

Intelligent Guns, Stupid Bullets

I was waiting for my cell phone charge some songs for my field trip tomorrow and just remember that I want to write about this: technology. But not about the advance of tech, about how sometimes techs are stupid for the sake of someone very evil or very stupid.

My mobile is one classic example: it’s a good model of Au, one of the biggest phone companies in Japan, very convenient with a good camera, Micro SD port and music player. That’s the problem: the music player. Instead of a practical and simple solution like copy your music files to your Micro SD, put in your mobile and have fun… noooo. You have to install the problematic program of Au in order to listen your songs. And more, the audio format should be in WAV, WMA or another one that I don’t know, in order to be converted to the phone format. AND, the program runs only in Japanese operational systems, what takes me to my laboratory to put some fun in my little mobile. Well, Japan has a impressive number of resident foreigners and English is a so used language here, why they at least make something aiming this people? Sometimes Japan is very much like “Japan is for Japanese people”…

But not only here. Other victim (or victim maker) is the software. Yeah, any PC software, especially the most important ones like AutoCAD, ArcGIS, Corel Draw and others have a series of limitations that has been solved along the time. But it is not strange that such smart programs have no smart programmers that think in ways to make life easier and software that last longer and consume less memory? Finally after years and years the programmers are aiming to less memory consuming programs and more efficient. It’s evolution, baby.

Anyway, this remembered me an old Mad Magazine with the first Matrix parody, when Agent Smith and the other Matrix agents were trying to shot Neo and he just made the classic scene of escape of all bullets. In the parody the agents were complaining things like “It’s no use to have intelligent weapons and stupid bullets!” Same for tech in these days. Cheers!

20081203

In this blog, #1

Birds run and fly high
Even in the winter's gray sky
Through the stormy clouds
In the direction that winter blows

Starting early, at sunrise
They hunt, kill or try
Cause this is the natural order
To live, you should survive

Still I try to keep my tears
But they insist to run
For the love is hollow
And my selfish heart burns

And for this hollow love
as for the flying birds
shall I run and fly?
Or kill, in order to survive?