É foda isso aqui viu... Vai entender esse povo. Às vezes dizemos que o mundo pequeno por que em 12 horas se consegue ir de um lado ao outro do globo, ou por quê encontramos alguém que conhece outro alguém que conhecemos em algum lugar remoto. A verdade é que a gente toma esses fatos pra se sentir mais perto de todo mundo, eu acho... Não parecer que se percorrem léguas e léguas... Essas coisas.
Mas aí, quando tu vens pro Japão ou pra essas culturas mais ou menos surtadas como tal, você vê que o mundo é tão fodidamente grande que o pensamento e bom senso mudam demais. E as vezes não! Aí o mundo parece pequeno de novo, complicado isso.
Dando esta volta do cacete só querendo dizer que apesar de estar na batatalândia, terra do olho puxado e da perna grossinha bonitinha (e infelizmente em 60% dos casos, torta), gamelândia, tecnologialândia, sushilândia e outras lândias aplicáveis, a mulherada aqui é tão complexa quanto no Brasil. Com a diferença que as chances de tu saberes o que elas estão pensando é muito, muito menor.
Tudo bem com algumas situações, é alias querer demais alguma coisa ou outra comigo mesmo, estudante estrangeiro, sem futuro aqui, culturalmente discriminado (ainda que disfarçadamente e por poucos), devendo voltar para o BR em um ano e meio... EU entendo. O problema é elas, eu não sei e não sei e não sei, queria saber o que se passa nessas meninas.
Meu lado loser tem falado alto ultimamente, mas tenho dado ouvidos a ele pelo simples fato de eu justamente não entender bem essa moçada que não joga Mortal Kombat, não conhece autores estrangeiros e raramente vai ao cinema... Aí fico no dilema da desistência ou da insistência ou pior, da estagnação entre um e outro e o tempo, funcionário modelo, continua seguindo.
Acho que todo ano o tempo é funcionário do ano. E do mês. E com o currículo mais invejado.
De qualquer jeito, tudo é muito complexo, queria que fosse mais fácil, todo mundo quer, todo mundo gosta, quem diz que não mente descaradamente uma mentira cabeluda. Pra quem é fácil, é. Pra quem não é, cheira chulé. E dá um jeitinho. Eu vou ficar na surdina que é mais jogo.
Foi só pra quebrar o sutureso (stress), essa de hoje. Não lê isso aqui não.
20090527
20090526
Emotion Master
É incrível como se pode passar por um fluxo inesperado de emoções em poucas horas! Elas fluem como um riacho, depois caem como de uma cachoeira e fazem transbordar tudo, propagando ondas no seu líquido cerebral. Remarkable.
De um período curto, pode-se ir da depressão aborrecida à unificação com o universo, sair do sorriso motivado por uma melodia (que por sua vez mexeu com lembranças) e ir para a carência conversacional e a necessidade de compartilhamento. É claro que nesse curto período pode-se bem misturar a raiva irracional (ou extremamente racional, a pior de todas).
Pode-se se perder no tempo, desligar o seu reloginho interno e quando perceber já ser tarde do dia ou da noite. Enfim, pode-se ser mais vivido do que viver, viver é experimentar o que a vida a traz, e principalmente, vivenciar tudo o que não podemos controlar. Quem alega ter tudo sobre controle mente, governos caem com a situação sob controle, pessoas surtam com a vida sob controle e o coração padece por tentarmos controlá-lo, mas ele é um animalzinho feroz que saltita e escapa das correias mais fortes, quebra as muralhas mais grossas. Também traz muito, muito.
Então, como se tornar mestre de suas emoções? Como trespassar a barreira de si mesmo? Como se superar sem perder controle, sem os revolucionários subversivos que tomam posse de você e jogam molotovs em tudo que você definiu? Como parar a cachoeira com um copo?
Como me tornar, eu, o mestre de minhas emoções?
De um período curto, pode-se ir da depressão aborrecida à unificação com o universo, sair do sorriso motivado por uma melodia (que por sua vez mexeu com lembranças) e ir para a carência conversacional e a necessidade de compartilhamento. É claro que nesse curto período pode-se bem misturar a raiva irracional (ou extremamente racional, a pior de todas).
Pode-se se perder no tempo, desligar o seu reloginho interno e quando perceber já ser tarde do dia ou da noite. Enfim, pode-se ser mais vivido do que viver, viver é experimentar o que a vida a traz, e principalmente, vivenciar tudo o que não podemos controlar. Quem alega ter tudo sobre controle mente, governos caem com a situação sob controle, pessoas surtam com a vida sob controle e o coração padece por tentarmos controlá-lo, mas ele é um animalzinho feroz que saltita e escapa das correias mais fortes, quebra as muralhas mais grossas. Também traz muito, muito.
Então, como se tornar mestre de suas emoções? Como trespassar a barreira de si mesmo? Como se superar sem perder controle, sem os revolucionários subversivos que tomam posse de você e jogam molotovs em tudo que você definiu? Como parar a cachoeira com um copo?
Como me tornar, eu, o mestre de minhas emoções?
20090514
Floreslhastais
Acho que entendi hoje por que não gostei do inverno. É o som das folhas. Sabe, quando venta forte, ou mesmo quando não venta tanto, as árvores balançam e fazem aquele som, que pra quem já viu o mar, lembra o som das ondas. No Amazonas dá mesmo pra chamar de "mar de folhas".
Claro que não é só o som das folhas, são as próprias árvores, o próprio verde que me torna a vida melhor. Eu gosto muito de estar na cidade, de saber que posso facilmente ir a algum lugar agitado e encontrar serviços e outras coisas confortáveis da civilização, mas não tem nada como andar por algum lugarzinho cheio de árvores em um finalzinho de tarde não muito quente nem muito frio e ouvir aquele som...
Eu lembro quando eu estava pra fazer o vestibular a primeira vez, eu estava adorando física naquela época, e pensei muito em entrar pro curso (o que teria sido fácil, pelo baixo nível de concorrência) mas aí encontrei um livrinho da UFAM que explicava sobre os cursos e o que o profissional formado poderia fazer. Vi que um físico é na verdade um cara que vai ficar na faculdade praticamente pra sempre, apenas obtendo graus maiores e idéias mais complexas. Não é exatamente um cientista ativo e normalmente não chega nem perto da imagem de um cientista louco. O que me desanimou severamente, lembro. Então fui pra minha segunda paixão acadêmica da época: ecologia. Vamos ver, o que eu poderia estudar relacionado com ecologia? Biologia? Nah, eu tenho uma tia bióloga e apesar de parecer divertido às vezes era muito flores e borboletas pra mim. Aí ví algo mais apropriado pra mim, tinha engenharia no nome, então já mexia comigo. E florestal, portanto, relacionado à natureza. Legal, mas e aí, o que essas pessoas fazem?
Vamos ver: recuperação de áreas degradadas, manejo de florestas, aplicação da legislação florestal ás atividades de exploração... parecia bem ecológico pra mim. Entrei. Na segunda vez que fiz o vestibular. Naquele tempo era a época das infames provas discursivas. Ainda lembro de algumas questões... Não deu. Na segunda passou pra objetiva e redação. Aí sim. Não era só imcopetência pra resolver problemas de física e química, também tinha o fato (descoberto muito depois) de aqueles problemas eram especialmente difíceis por que eram feitos pelo pessoal do Departamento de Física, Química e Biologia com foco em algumas coisas que nem eram vistas em um segundo grau regular de escola pública. Desculpas a parte, entrei. E foi uma decisão muito acertada.
Na verdade acho difícil dizer isso, por que muitas vezes eu me questionei se meus talentos estavam ali mesmo. Lembro daquele filme tosco "O Demolidor" (não é o da Marvel, é o com o Stallone) onde no futuro eles conseguiam saber através de análise do cérebro qual era a profissão mais adequada à alguém, e o Stallone devia ser alfaiate em vez de super-policial-fodão. Queria saber só por curiosidade, por que eu já "andei milhas e milhas por essa estrada, Mary Lou, e não vou voltar..."
O que dá pra fazer é fazer algo paralelo. Mas minha profissão me proporciona muito prazer, principalmente o de andar em algum lugarzinho distante de tudo, onde ninguém pode me encontrar facilmente, principalmente se eu ficar quietinho ouvindo o som das folhas ao vento. : )
Be whatta nee'to be, whatta want'o be and be happy will'ya?
生活に一番大切はうれしくなっています。 がんばりましょう!
Claro que não é só o som das folhas, são as próprias árvores, o próprio verde que me torna a vida melhor. Eu gosto muito de estar na cidade, de saber que posso facilmente ir a algum lugar agitado e encontrar serviços e outras coisas confortáveis da civilização, mas não tem nada como andar por algum lugarzinho cheio de árvores em um finalzinho de tarde não muito quente nem muito frio e ouvir aquele som...
Eu lembro quando eu estava pra fazer o vestibular a primeira vez, eu estava adorando física naquela época, e pensei muito em entrar pro curso (o que teria sido fácil, pelo baixo nível de concorrência) mas aí encontrei um livrinho da UFAM que explicava sobre os cursos e o que o profissional formado poderia fazer. Vi que um físico é na verdade um cara que vai ficar na faculdade praticamente pra sempre, apenas obtendo graus maiores e idéias mais complexas. Não é exatamente um cientista ativo e normalmente não chega nem perto da imagem de um cientista louco. O que me desanimou severamente, lembro. Então fui pra minha segunda paixão acadêmica da época: ecologia. Vamos ver, o que eu poderia estudar relacionado com ecologia? Biologia? Nah, eu tenho uma tia bióloga e apesar de parecer divertido às vezes era muito flores e borboletas pra mim. Aí ví algo mais apropriado pra mim, tinha engenharia no nome, então já mexia comigo. E florestal, portanto, relacionado à natureza. Legal, mas e aí, o que essas pessoas fazem?
Vamos ver: recuperação de áreas degradadas, manejo de florestas, aplicação da legislação florestal ás atividades de exploração... parecia bem ecológico pra mim. Entrei. Na segunda vez que fiz o vestibular. Naquele tempo era a época das infames provas discursivas. Ainda lembro de algumas questões... Não deu. Na segunda passou pra objetiva e redação. Aí sim. Não era só imcopetência pra resolver problemas de física e química, também tinha o fato (descoberto muito depois) de aqueles problemas eram especialmente difíceis por que eram feitos pelo pessoal do Departamento de Física, Química e Biologia com foco em algumas coisas que nem eram vistas em um segundo grau regular de escola pública. Desculpas a parte, entrei. E foi uma decisão muito acertada.
Na verdade acho difícil dizer isso, por que muitas vezes eu me questionei se meus talentos estavam ali mesmo. Lembro daquele filme tosco "O Demolidor" (não é o da Marvel, é o com o Stallone) onde no futuro eles conseguiam saber através de análise do cérebro qual era a profissão mais adequada à alguém, e o Stallone devia ser alfaiate em vez de super-policial-fodão. Queria saber só por curiosidade, por que eu já "andei milhas e milhas por essa estrada, Mary Lou, e não vou voltar..."
O que dá pra fazer é fazer algo paralelo. Mas minha profissão me proporciona muito prazer, principalmente o de andar em algum lugarzinho distante de tudo, onde ninguém pode me encontrar facilmente, principalmente se eu ficar quietinho ouvindo o som das folhas ao vento. : )
Be whatta nee'to be, whatta want'o be and be happy will'ya?
生活に一番大切はうれしくなっています。 がんばりましょう!
20090509
Kirk, Archer & Picard
Acabei de assistir o último episódio de Star Trek: Enterprise e emocionado, venho falar de Kirk, Archer, Picard e eu.Essa ordem é a minha ordem de preferência pelos Capitães das 3 Enterprises, uma série que abriga nerds do mundo todo desde os anos 60 e que agora vai ganhar um "reboot" com o filme vindouro mostrando a juventude do Cap. Kirk e do Sr. Spock. Fora com modismos, desde que vim ao Japão e tive acesso à internet velocíssima daqui, comecei a baixar os clássicos. Lembro dos meus distantes 8 ou 9 anos de idade, minha mãe reclamando que eu não deveria assistir aquilo por que ela não gostava das orelhas do Sr. Spock, na tela da nossa TV sintonizada na extinta TV Manchete que era restransmitida pela Rede Brasil Norte - que virou Rede Boas Novas (e que provavelmente JAMAIS passaria esse seriado). Eu lembro bem claramente daquela dublagem dos anos 80 que eu adorava, as vozes eram tão diferentes... mais naturais. Hoje em dia parece meio forçado pra mim.
Bem, você pode ver que além da nostalgia, Star Trek me trouxe bons momentos de lembranças e preencheu muito do meu tempo livre aqui no Japão, quando não se tem mais nada pra fazer ou não se tem dinheiro pra fazer alguma coisa. Star Trek, a série original é com certeza a melhor: Kirk, Spock, McCoy e cia. fazendo milagres com os efeitos especiais dos anos 60. Soube que cada episódio era gravado em uma semana, imagina a correria! Lógico que nem tudo era brilhante, mas aqueles eram outros tempos e eu ainda acho diversos episódios geniais. Star Trek Enterprise foi a última série produzida, entre 99 e 2002, conta a história da primeira nave da Terra a ir longe "where no man has gone before", tudo era mais simples e ao mesmo tempo mais difícil, o que torna o mote da necessidade e da invenção extremamente válidos. Além de contar com um elenco carismático (especialmente T'Pol, a gostosíssima vulcana da nave) os efeitos desta época ajudam bastante a dar mais realce na ficção.
Star Trek Next Generation é a menos preferida por mim - e a mais longa, a única com foco na Enterprise que teve 7 temporadas. O problema todo, pra mim, é que essa é a Enterprise do século 24, a mais moderna, aonde problemas tecnológicos são o de menos. Aí é que é o ponto. São um bando de almofadinhas universitários comparados com com a original NCC 1701 ou mesmo com a NX-01. Muitas histórias boas, como já citei aqui uma vez "Darmok" ou a saga dos Borg. Mas Picard é só um francesinho arrogante e diplomático demais, um soldado da Federação com pouco tino pra quebrar regras. Creio que os Trekkers em geral preferem o andróide Data nessa série. Archer, da primeira Enterprise é mais parecido com Kirk, impulsivo, aprendendo com seus erros e muitas vezes colocando prioridades fora do protocolo. A série retratou bem o 11 de setembro, mais também retratou a xenofobia que veio junto, de uma maneira bem agradável.
Enfim, o que realmente me toca nesse universo nerd que saltita dentro de mim é a frase mais legal que eu já ouvi - e que de uma maneira ou de outra é o que eu vivo, afinal eu estou na fronteira final de nosso planea, onde muitos homens e mulheres já vieram conhecer novas formas de vida e novas civilizações. E continuo indo, audaciosamente, até aonde der e sempre vou me lembrar daquele aúdio dos anos 60, cheio de eco e remasterizações posteriores dizendo:
"Space... the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise, in it's five years mission, to explore strange new worlds, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no man has gone before!"
20090508
平日
東の方から白いもの
京の都に赤いもの
事が始まる朝がきて
変化求める原始めの素
娯楽も何もありゃしない
同じ夜がやってくる
群青色の東京へ
遭難しかけたてたどりつく
わからない わからない
わからない わからない
定時で帰る何とやら
朝のまばたき数える
あっちでほえる赤い馬
そっちでわめく白い鹿
排水溝に流れつつ
肺と灰とが乱れゆく
カタカタ震える英雄が
唇噛んで溶けてゆく
かわらない かわらない
かわらない かわらない
ミラーボールをたたき割る
幸福論じて地下室へ
教育者どもを殴りだす
メトロ揺らして浴室へ
砂のあらしと電球が
平らな日々を物語る
ボイスレスな夢を見て
平らな日々が消えてゆく
by Sugawara, Shota
京の都に赤いもの
事が始まる朝がきて
変化求める原始めの素
娯楽も何もありゃしない
同じ夜がやってくる
群青色の東京へ
遭難しかけたてたどりつく
わからない わからない
わからない わからない
定時で帰る何とやら
朝のまばたき数える
あっちでほえる赤い馬
そっちでわめく白い鹿
排水溝に流れつつ
肺と灰とが乱れゆく
カタカタ震える英雄が
唇噛んで溶けてゆく
かわらない かわらない
かわらない かわらない
ミラーボールをたたき割る
幸福論じて地下室へ
教育者どもを殴りだす
メトロ揺らして浴室へ
砂のあらしと電球が
平らな日々を物語る
ボイスレスな夢を見て
平らな日々が消えてゆく
by Sugawara, Shota
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