20090727

Despedida de Solteiro

Bueno, depois do meu último post (no qual eu estava triste como um feriado com diarreia) algo me animou mais hehehe, lógico que é "besteira" então se você tem algo melhor pra fazer, faça agora e abandone este blog, se não, aí vai:

Hoje é sobre um clássico 80: Despedida de Solteiro (Bachelor Party) de 1984 e com ninguém menos que Tom Hanks no papel principal. Esse filme costumava passar na globo, mas a maioria dos filmes legais foram gradativamente sendo esquecidos. Bom, quem viu se divertiu, quem não viu vale a pena. Tem tudo do anos 80, tudo! Cabelos laqueados, calças apertadas estilo ovão, danças ridículas e bandas com saxofones (pra quem não lembra ou não sabe, nos anos 80 as bandas em geral tinham descoberto o saxofone e o sintetizador, banda sem esses dois instrumentos não era banda). A história é sobre um largadão que vai casar com uma filhinha de papai, a família é contra, tem um valentão riquinho que a quer a qualquer custo e os amigos do noivo são perturbados de natureza. Daí tudo bem, as interpretações são fracas até pra um filme de comédia, mas muitas cenas valem o filme: o burro que havia sido levado pra um show de sexo come todas as drogas (e cheira! hehe), morre e é largado no elevador do hotel; o drogadão suicida que tenta se matar com o barbeador elétrico entre outras coisas. Também ver o Tom Hanks sem dignidade nenhuma fazendo um filme de terceira vale cada mega do download (ou real do DVD, que seja). Acho que hoje ele deve olhar filmes como Splash! Uma Sereia em Minha Vida, botar a mão na cabeça e perguntar "o que foi que eu fiz". Pensando melhor, ele fez aquela lambança do Código da Vinci e agora o Anjos e Demônios, não aumentou muito a qualidade não...

Vale a pena perder uma horinha e meia, vais rir à toa e dar graças a Deus que tu viveste os anos 90 (que não eram lá essas coisas também, mas isso já é outra história).

Te-chau.

20090723

Yokohama

O corpo dela se espalhou preguiçosamente pela minha cama de solteiro. A pele branquíssima, típica dos povos de países frios a maior parte do tempo. Momentos de felicidade terríveis, mas sem avançar mais do que o que já se tinha avançado. A consciência pesou e deixamos de nos entregar a febre da carne...

No dia seguinte eu acordo em um cyber-café, que aqui funciona também como uma espécie de hotel baratíssimo, por que tem cabines onde se pode deitar. Barato, prático. Yokohama. 8 horas de um ônibus extremamente desconfortável depois, estou em um cyber-café perto da Estação Yokohama, a estação principal da 3a. maior cidade do Japão. Saio ainda sonolento e com o pescoço em frangalhos e tomo o rumo à estação. Ao chegar perto do local do Festival, encontro uma rede de comida japonesa conhecida, comida barata, rápida, nem tão saudável mas ao menos melhor que McDonalds ou Mr. Donut.

O Nano Mugen Festival é organizado pelos caras da Asian Kung-fu Generation, a única banda japonesa que tem meu completo respeito. Esse ano não vou pro Fuji Rock por que só tem o Franz e o Weezer, como já vi o Weezer, não vale a pena se deslocar tão longe por causa de uma banda. Então vim pro Nano. E Yokohama é perto de Tokyo por sinal...

O grande motivo mesmo foram eles: Nada Surf. Uma hora de show e fiquei feliz, muito feliz. Eu escuto esses caras desde meus 15 anos, desde que comecei a escutar rock. Só falta o Superchunk agora.

O Festival também tem outras coisas interessantes, Hard-Fi (razoável, banda nova), Young Punx (muito bom, me surpreendi). O Manic Street Preachers cancelou, mas tudo bem. As bandas japas... Só o Asian. Eles são os únicos que não ficam fazendo performances exageradas e tem um rock realmente decente, nada dos típicos fabricados que nem merecem ser citados aqui.
O festival acaba e vou pra Sakuraguicho, perto do porto. Dou uma volta na maior roda-gigante do Japão, sozinho mesmo, tirando muitas fotos e ficando com medo de altura.

Acordo de novo no cyber-café. São 7 da manhã. Resolvo caminhar, chego de novo na roda-gigante mas não vou lá, sigo o caminho do porto e a brisa do mar começa e me deixar preguiçoso. Sento em um banco perto de um prédio histórico todo feito de tijolos vermelhos e termino de ler Diary, do Chuck Palahniuck. Não é muito bom. Percebo que com o sol morno ganhei um bronzeado, sigo o cais e tiro muitas fotos. Algo me inquieta. É ela.

Yamashita Park, Chinatown e de volta para Estação Yokohama. Eu adoto uma tática. A cada hora de caminhada eu paro e leio o livro. Ou escrevo. E assim as frações de tempo necessárias para eu voltar no ônibus noturno vão passando. Desisto de ir à Tokyo, estou sem humor. Não sei por quê.

E então entendo... Estou de coração partido. Subitamente entendo. Aquelas mãos brancas e macias, aquela respiração soltando algumas palavras em inglês com sotaque carregado de erres. Nada disso será para mim. Não pode, não deve. Talvez se fossemos adolescente e inconsequentes, talvez se não estivéssemos aqui. Mas depois de uma certa idade, aprende-se a respeitar certas coisas. Compromisso sérios e relações homem-mulher, quando já se passou por algumas situações ou conviveu próximo a elas, sabe-se que deve-se tomar cuidado.

E tomamos, não fomos adiante. Quando voltei a Kyoto, sentamos em um banquinho de praça, abrimos nossos corações e concordamos que por mais tentador que seja, é óbvio o que temos que fazer. Continuar como se nada tivesse acontecido. E nunca contar pra ninguém. Pelo menos não citando nomes ou qualquer referência que possa cruzar informações. Trato feito, corações partidos, nos vemos por aí.

Yokohama é ótima, o porto e o mar chamam sua alma.
Nada Surf vai ser sempre importante pra mim.
Beber sempre ajuda.

heh.

20090716

Mais um sonho

Eu sonhei que eu a salvava, ela estava num meio nocivo, ruim. Sempre tenho um pouco esse lado paternalista, esse protecionismo todo, acho que é pela ausência paterna (biologicamente falando, por que eu tive meus "pais", tios e avô queridos). Mas então, eu a tirava de lá e quando na verdade minha intenção era deixa-lá por ali para ser destruída com tudo o que vinha abaixo... E ela se agarrava em mim, e de repente nos tínhamos um laço, um compromisso.

Na cena seguinte meus amigos, minha banda daqui desse lado do mundo está na casa dela, uma sala cor de rosa, com a tinta já velha, uma estante de madeira e uma TV, eles jogavam ávidos um jogo qualquer. E ela vinha do quarto, simples e tranquila. Eles perguntavam se ela tinha emagrecido, ela disse algo que eu não entendi. Saímos da sala somente os dois, fomos para o jardim que parecia muito com o jardim da minha casa de Manaus, 15 anos atrás.

E ela me olhou com aqueles olhinhos puxados, aquele rosto de anjo oriental e eu me senti tão feliz por ela estar ali. Mas ao mesmo tempo me veio a súbita consciência de que eu não a conhecia. Não tínhamos assunto. Tinha algo que nos prendia Ela me pergunta em japonês se eu acho que ela emagreceu e sorri. Eu acordo.

Acordo e penso muito a respeito. Quem será essa pessoa? Eu quase posso lembrar do rosto, como um kanji que eu não estudei, não posso escrever, mas se vê-lo posso lembrar e ler. Não é ninguém de antes. Não é quem eu encontro casualmente. Me acanho com meu futuro. Mas fico feliz de lembrar que mesmo que somente pelo tempo da duração de um sonho, meu coração pode se apaixonar bestamente e me trazer tanta felicidade que meu dia se torna melhor.

20090713

No title, No light, At night

Under the moonlight
I bleed lying on the floor
I feel the dust on my mouth
and it tastes like sand

I taste the floor
That I steped so hard
That I use to be above
I taste the low-lying-ness

Now like every grain
every small bush
and blade of grass
I am stucked to the soil

I bleed through my heart
And earth takes back
What once was given to me
Easy come, easy go, you know

As the memory roots spreads
I feel like becoming a tree
Buried here forever
I shall not forget this place

They place you lie
Can be the place you die
I if you only sleep
Then it was given you one more chance

My breath makes dust clouds
My eyes dried because of it
My skin does not sweat
My will just fade away

So I get up again
I clean my tears
I stop the blood
So I go home

20090705

Arcade Fire - Rebellion (Lies)

Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.

People say that you'll die
faster than without water.
But we know it's just a lie,
scare your son, scare your daughter.

People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live on misbehavior.

Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes

People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.

Come on hide your lovers underneath the covers
come on hide your lovers
underneath the covers.

Hidin' from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.

People say that you'll die
faster than without water,
but we know it's just a lie,
scare your son, scare your daughter,
Scare your son, scare your daughter.
Scare your son, scare your daughter.

Now here's the sun, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the moon, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the sun, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the moon it's alright
(Lies, lies!)

Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!

Every time you close your eyes

Every time you close your eyes

Every time you close your eyes

Lies, lies!

20090701

No restaurante chinês - parte I

Sentou-se no balcão, espremido entre a janela frontal da pequena loja e da cozinha, perto das enormes frigideiras. Felizmente que nada cheirava à óleo ou gordura, pelo menos até onde se podia enxergar, era tudo limpo, apesar de mal iluminado pro lâmpadas incandescentes. O menuzinho à sua frente não tinha figuras, até os preços estavam em kanji. Tentou encontrar alguns familiares mas sem muito sucesso, apenas pediu 'Gyoza setto, onegaishimasu. Gohan wa emu saizu'. Gyoza e arroz médio, tudo num conjunto com um preço acessível.

Até aquele momento só haviam dois clientes no pequeno restaurante. Já tinha estado ali antes com uma amiga, parecia ser o tipo de lugar frequentado principalmente por gente solteira, sem tempo ou paciência para cozinhar. Mas o gosto era bom, parecia limpo e os preços razoáveis. O segundo cliente, um velho, olhou para ele, um olho com marcas vermelhas ao redor. O outro roxo. Parecia ter brigado, brigado feio - e apanhado. O velho desviou o olhar inexpressivo.

Abriu o seu livro encontrado na caixa de despejo de livros da universidade. Era "O completo guia da Terra-Média" um exemplar raro e bem feito, produzido sob a forma de dicionário com tudo sobre a obra de Tolkien, para qualquer fã, um item pra lá de interessante. A senhora que atendia o restaurante trouxe a primeira parte da porção pedida: molho para gyoza num pireszinho, uma bola de salada que mais parecia uma bola de sorvete que não derretia e o arroz, tigela média. Alguns minutos depois, o homem por trás das frigideiras por trás do balcão entregou os gyozas, ficou feliz, pois estava com muita fome e com um desejo impassível de comer aquilo.

O restaurante começou a encher, como que para confirmar sua teoria sobre o lugar ser um antro de solteiros sem habilidades culinárias ou paciência, todos os clientes eram homens desarrumados, alguns de terno, deixando o paletó de lado, alguns estudantes. Concentrou-se na comida e abriu o livro novamente para ignorar o nojento som do cliente mais próximo comendo lámen. Hábito cultural do qual se é impossível de acostumar quando se tem o mínimo de maneiras à mesa, a moda ocidental, claro.

Terminou o prato, estufado, pegou o livro e começou a ler a definição de Nazgul enquanto relaxava tomando o chá frio e sem açúcar servido ali. Quando estava chegando ao final do verbete, percebeu que o velho tinha sentado sorrateiramente a um banco de distância e estava lhe encarando, o olho roxo e inchado se mexendo rápido, enquanto o outro olho, nem tão saudável, estava impassível.

"Estudante estrangeiro?" perguntou o velho, sem usar nenhuma formalidade típica da língua, usada principalmente com desconhecidos e com "superiores".

"Sim." limitou-se a responder. Apesar de ter olhado de relance para o velho, preferiu continuar olhando para as páginas amareladas do livro. Sentia que se olhasse muito aquele olho machucado, os gyozas iriam tentar voltar para o prato.

"E fora estudo, procura algo mais? O que trouxe você ao nosso país?"

Refletiu por um momento, surpreendeu-se mais em ter entendido o dialeto e a voz enferrujada do velho do que com a pergunta. Já estava acostumado com esse tipo de pergunta, provavelmente a próxima seria "Quando você volta pro seu país?" ou algo do tipo.

"Creio eu que, haja muito mais do que você percebe por aqui. Não seria sábio e nem proveitoso voltar para seu país antes de saber do que estou falando. Até o ano que vem pode não ser o suficiente."

Agora se espantou de verdade. Não pôde conter arregalar os olhos. Como ele sabia?

"Este olho tudo vê, meu amigo."

E rindo o velho apontava para o olho roxo, aonde a pupila se debatia freneticamente dentro do globo ocular. O roxo inchado cheio de rugas de quem viveu muito.

"Eu..." Faltaram-lhe palavras do idioma local, tentou formar a estrutura da sentença mas não encontrava as palavras para colocar na ordem certa. Nem lhe vinham à mente os verbos que deveriam ser flexionados para responder.

"A chuva está forte hoje. O céu se zanga nas montanhas e vem descontar na cidade. É bom tomar cuidado." Dito isso, deixou uma nota de mil ienes no balcão, embaixo da nota cheia de kanjis rabiscados apressadamente pela garçonete. O velho deixou a loja e um rapaz assustado.

Mais tarde refletia sobre aquele começo de noite. E sobre seus planos. O que haveria por acontecer?