20120826

BOAT - Landlocked

You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up

You only work when you have to
Eating from the drive-thru
Lazy bag of bones
Go ahead and make that too

And now you're hiding from the landlord
Hidden bills get ignored
You're colder than the cold
Freeze me out

And when you search for your close friends
All that you find is dead ends
No one calls you back

You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up

I've been landlocked

Frozen in blocks

I've been landlocked
Frozen in blocks

You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up

You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up


That was the song's lyrics, this is how I describe it:

(Bass starts)

(Guitar riff that I love)
(Cute keyboard kicks)
You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up

(Drums getting feverish)
You only work when you have to
Eating from the drive-thru
Lazy bag of bones
Go ahead and make that too
(Drums get stronger)
And now you're hiding from the landlord
Hidden bills get ignored
You're colder than the cold
Freeze me out
(Drums get stronger, guitars scream higher)
And when you search for your close friends
(J. Roderick starts singing louder together here)
All that you find is dead ends
No one calls you back (baaaaaaaa aaaaaaaa aaaaaaaaa aaaaaaaaack)


(Guitar/bass riffs in perfect order)
(Acoustic guitar kicks)
You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
(Bass gets louder)
I give up
(Everybody plays everything)
I've been landlocked
Frozen in blocks
(Only drums and vocals)

I've been landlocked
Frozen in blocks
(Everybody Louder with back chorus singing "I've been landlocked/Frozen in blocks")
You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up
(Everybody Louder with back chorus singing "I've been landlocked/Frozen in blocks")
You know you really should be smiling
But she don't feel like smiling
Your face is made of stone
I give up
(Songs finishes quickly with a sound theremin-like)

20120823

Letter

Hey, its been a while

Better like this, I guess that's how I can express myself better lately. I was watching something and remembered you. No special reason at all, just some time ago we used to speak more and at some point became a little bit closer. You mocked me sometimes for that, but that was/is your nature, I guess. Mine too, every now and then, is  to laugh and joke and leave.

Love, you know, why else we would write? I guess it's all true, like the fake Hemingway from "Midnight in Paris" said 'If a story is not true is not good' or something like that. Did the true Hemingway said that? I never read him, I confess, I am trying to catch up with a lot of classics recently. Catcher In The Rye, Heart of Darkness, Great Expectations... stuff I never read and now I know why is so good. But it is an acquired taste... 

So, the thing is that life is short, I realized that. It can really be. The long moments of boredom do not stretch the length of it, neither do the happy moments that flash before our eyes, like the ones we shared several years ago. That lead me to think a bit more ahead of myself and start to question my moral values - in love for instance.

In fact, I had several adventures recently and I wanna tell you because one day we talked about that. Proud of being good (on that time at least), of let the years pass by even if there is some bullshit unsolved or that never will. That is not what I want anymore. Ain't me to get shit from no one. At least no more. That's what scares me.

What we become is the sum of our environment and our choices. I guess I am not really in the best place to be good, or I have no wish to be good in the sense that I don't wanna restrict myself because of no one. Like I did before, but before I had a lot of guilty to deal with and that was fruit of a lot of resentment. 

By now you probably got the entire picture. So I don't need to go in details, not with you at least. Something I like about you is exactly that. We can leave the details for the less fertile minds or for our writing time. I guess people call that insights, no?

Whatever, I just wanted to talk to someone about it.

One had blue sapphire eyes, deep and sad,
It was a wonderful night and a next day terribly bad.

One was due long ago and it finally happened.
 I felt like a king but she probably regret...

One is not over and did not start.
 But we sneak between these two, hiding from the lights.

Another one is Christmas past and now sing in another chorus
 I am happy for her cause she brings me no worries.

I am not bragging, I'm just saying... Maybe I am no good. I have my reasons though. Lots of resentment, lots of things not happening and life itself begging to be decided, stabilized, put on a railroad where it can flow.

This is not my home, never will be. But there are other places... Paris, London, Firenze, Madrid... I just wanna go home, but anywhere but here can be my home, anywhere else. Home, the actual one too, my little place that I so much love, that I so much miss, with the people that I miss even more.

Things were easier, I was simpler. You said you didn't change, but I know you did. What I know that didn't change is your knowledge and the shared insights. So I write to you because I know you won't judge or put words in my mouth. That you will read this and see the double meaning of what actually it is. You have the language and the brains. That I have to admit.

Miss you, in a totally not homo way. Maybe a bit, haha.

All the best, see you sometime in the future

20120608

Eu já mencionei que eu não paro de escutar o Dress Like Your Idols do BOAT?
Ou que eu detestei a versão do Velvet Revolver para Psycho Killer, a original do Talking Heads é muito melhor e o video original no Youtube com eles bem novinhos é muito legal? Esse baixo é o melhor.


Que eu posso assistir alguns filmes milhões de vezes (O Clube da Luta, Platoon, Beleza Americana, Trainspotting).

Que minha música favorita do Strokes é The End Has No End especialmente a parte depois do solo


Estou lendo um dos livros do Antony Bourdain, gostei quando ele foi para Portugal comer um porco. Me deu saudades de novo, queria comer o prego no pão em frente ao Mercado do Bolhão...


Acho que o Tony Bourdain é o único chef que pode ser cínico sem ser chato ou arrogante. E ele escreve bem pra alguém declaradamente iletrado e junkie... O bom dos livros é que ele fala mais sobre as impressões, o programa da TV dá muitas imagens, mas falta o sentimento.

Queria sentar na beira do Rio D'ouro e esquecer o mundo... ah...

20120601

"Gráffias"

Eu desço a escada do avião da empresa de baixo custo (12 euros por este trecho) e rumo aeroporto adentro, erro o caminho e vou para o saguão errado, finalmente me encontrando, checo o câmbio - muito caro - e o guichê de informações. É muito simples andar pelo centro, tudo fica por lá, diz a atendente com um sorriso. Ela fala claramente e eu não tenho dificuldades. Na parada do ônibus expresso, um negão de terno fica confuso com os sinais, pergunto em inglês aonde ele quer ir mas ele, um marroquino, só fala francês. Faço o melhor que posso Où voulez-vous aller? ele responde ainda confuso Avenida América. Encontro o número do ônibus que vai pra lá e aponto C'est ça. Ele agradece e senta calado.  Meu ônibus vem e eu parto observando tudo ao meu redor, nessa altura da viagem fico feliz de mais um ônibus ter um letreiro digital, já que os alto-falantes são no mínimo terríveis. Nem se fosse em português eu entenderia.

Eu desço na Plaza de Cibeles e sigo o mapa da moça do aeroporto. É uma caminhada relativamente curta, ela disse, até chegar a Puerta del Sol é 1,5 quilômetro. E eu aproveito cada metro. Os prédios não são estranhos, gigantes versões dos prédios coloniais de Manaus, muito mais majestosos e em sua maioria de um bege empedrado. Passo um museu, uma pixação, prostitutas em vielas, lojas. Quando chego a Puerta, uma infinidade de pessoas, muitas muitas pessoas sentadas nas fontes, apoiadas nas paredes da artística entrada do metrô, artistas de rua, tão irritantes aqui quanto em Veneza, mas eu só saberia disso em dois dias e meio. Continuo seguindo o mapa para o meu hostel. Naquelas redondezas, disse-me a moça, houve um assassinato de alguém importante e depois fizeram um filme sobre isso. Me perco entre as ruas pavimentadas de pedras polidas por solas de sapatos ao longo de centenas de anos, encontro a tal rua, estreita, deserta, assustadora. Há uma praça em uma colina cheia de silhuetas fumando e falando alto. Fico feliz de eles me ignorarem e alcançando o hostel me sinto em segurança. Mostro a reserva feita pela internet, o dono é um homenzarrão meio carrancudo mas gentil. Cartão aprovado, meu quarto é dividido com mais 11 pessoas, ele avisa. Depois de tudo explicado, agradeço e me sento. Já me acostumei com os calos nos pés mas aprendi a importante lição de deitar em uma cama macia por alguns minutos e deixar a poeira baixar. Dois norte-americanos entram, se apresentam, trocamos um conversa rápida. Tenho fome. Eles não querem sair pra jantar, uma garota entra no quarto e diz oi. É você a holandesa? Sou eu sim (a única mulher do quarto, os americanos me explicaram antes) Quer ir jantar comigo? Ela hesita por 2 segundos. "Sure!"

Sinceramente não sei aonde ir, deixo ela me guiar. Paramos em uma pracinha e enquanto trocamos apresentações básicas eu provo um presunto com pão e azeite que faz meu coração sorrir. Me lembrou a praça do Eldorado. Quando se vive muito em uma cidade só, é difícil não comparar com outros lugares e Manaus é mais do que os habitantes imaginam. Todo aquele glamour da borracha e aqueles prédios de famílias portuguesas no Largo São Sebastião tem um motivo. São tentativas de fazer gente que veio de muito muito longe se sentir mais próximo de casa. E esse hábito de comer na rua, sentado em uma praça, também não é nosso. Percebo isso enquanto ela me conta que ensina linguagem de sinais para crianças autistas surdas (?) e como o trabalho é difícil e longo. Como Amsterdan ainda está fria e como ela em um impulso tirou o fim-de-semana e foi para lá.

Eu conto sobre mim, sobre o Japão, sobre essa viagem, aonde eu vou, de onde vim, etc. E estamos em um bar típico agora, bebendo cerveja e comendo sanduiches com diferentes presuntos, choriços, salsichóns. Eu tenho dificuldade para explicar o que é um jábon em inglês e nossos amigos de mesa não falam inglês, cutucamos iPhones em busca de um significado. Eles desistem e dizem é carne, é bom. Eu conto pra ela e aqueles olhos azul-escuro riem. Ela me mostra suas pinturas, um hobby de horas vagas. Eu fico honestamente impressionado e peço que ela me mande por e-mail fotos. Nunca mandou.

Nossos novos amigos vão embora. Eles são mais jovens que eu e parecem bem mais velhos. Rumamos de volta ao hotel, mas ela anda muito rápido. Eu seguro sua mão e peço pra ela relaxar. Ela se esforça.

Isso tudo enquanto vendo uma cidade impressionantemente bonita, igrejas iluminadas, gente por toda parte. Pulsando jovialidade.

Franceses me acordam no meio da noite fazendo check-in. De manhã eu digo que eles fizeram um estardalhaço, eles se desculpam mas zombam de mim, eu sei. Eu posso entender isso até em koreano. Ela se comporta fria e indiferente, eu me sinto empurrado longe e decido continuar com a vida, afinal o tempo é curto e há tanto para se ver...E eu vejo tudo que eu posso, ando o dia inteiro. Visito um museu náutico onde um antigo mapa tem escrito um aviso no lugar aonde o Japão deveria estar "Aqui vive um terrível monstro marinho" down right Sir, down right! Eu rio sozinho.

Ainda é março, então o Jardim Botânico não tem flores. Me incomoda a sua indiferença, o que eu fiz de errado? Minhas lamúrias são interrompidas  por um senhor gritando pela polícia, suas coisas foram roubadas mas com sorte ele recuperou a carteira.

Quando eu passei pela praça onde um Cervantes de mármore observa Dom Quixote e Sancho Pança eu já tinha percebido. Eu me apaixonei. Em uma noite. Por olhos azuis. E um espírito artístico. E eu tinha meu coração partido, na manhã seguinte. É isso viver intensamente? Deve ser. Quem disse que o romance morreu?

A noite trocamos um oi, sigo em direção ao outro lado do rio, resolvo ir andando apesar dos 6 kilômetros de distância. Andar se tornou parte de mim, já não dói. Tento encontrar um clube de rock que vi na internet, sem sucesso, paro em um restaurante árabe e me deleito com um kebab e uma salada maravilhosos. Um acidente na praça próxima chama minha atenção por alguns momentos e resolvo voltar de metrô.

Perco meu tempo falando com um canadense exibido e alguns brasileiros que aparecem de repente, resolvo tomar banho mas a porta está travada. Chamo o atendente, o mesmo homenzarrão do check-in. Ele se surpreende com meus agradecimentos, sorri dizendo que não é nada. O Japão me educou melhor que minha mãe na arte de agradecer.

Eu escrevo uma pequena dedicatória no meu meio-lido livro coletânea de O. Henry. Eu iria me arrepender de ter dado esse livro mais tarde, mas não muito, só por que eu estava sem nada mais para ler. Eu deixo na cama dela e durmo. Às 5 eu acordo e faço check-out, ando pelas ruas ainda escuras e cheias de gente voltando de clubes e bebedeiras, apreensivo mas nem tanto. Algumas meninas me pedem informações sobre como ir a uma estação. tendo estudado o mapa do metrô de antemão (algo que de nada serviu mais tarde, mas foi bom tê-lo feito de qualquer maneira) eu aponto o caminho.

De volta ao aeroporto eu ainda tenho duas horas para meu voo. Descanso, me irrito, fico triste de ter sido tratado friamente por ela. Então sorrio por que eu fiz algo tão incrível e estive em um lugar tão maravilhoso.

Ainda rio quando escuto, nas minhas memórias, o jeito que eles falam. Não é o Gracias com som de ss, é mais como gráfffias, meio que com a língua nos dentes.

Amei. A cidade. E alguém.

20120517

Café Boost

J'habite prés de l'université, c'est un problème parfois... Mon PhD c'est un problème aussi.

Ontem tive um ataque elétrico causado por algo que eu não sabia que funcionaria. Café.

Nunca fui muito fã e já tive gastrite, então sempre tomo com leite. Ontem me sentindo preguiçoso (mais que o usual) resolvi tacar no moído e rumar pra universidade. Lá tomei mais uma xícara em um dos raros momentos em que me sinto me aproximando do pessoal do laboratório. Meia hora depois não conseguia parar quieto, tive que sair às pressas... Aí está o problema de viver perto da universidade, é fácil sair de lá e ir pra casa, vira uma tentação do cacete desistir de qualquer coisinha. Então rumei pra casa, troquei de roupa e resolvi subir a montanha, de tão elétrico quase fiz um parcour... Exausto e suado voltei ao "lar" e tomei um banho. Aí sim me acalmei. Nunca imaginei que café pudesse fazer isso comigo, até por que sempre que bebi não havia esses efeitos colaterais.


Nunca fui de usar nada além do álcool puro e simples, desde meus 16 anos bebo, algumas vezes mais outras menos, tenho fases de abstinência total e fases de trasheamento contínuo. Depende também com quem estou. Uma das minhas grandes saudades de Manaus e uma boa alembrança de uma das minha ex é sentar em uma praça do Parque 10, próximo do Amazonas Shopping com alguns amigos (vocês sabem quem são!) e entornar cervejas intercaladas com cachaças e jogar conversa fora sobre bandas, quadrinhos, inutilidades, utilidades, etc. O Parque 10 é perfeitamente perigoso para uma coronária... Você se embebeda em um dos muitos bares, se entope no Habibs e assiste um filme alugado naquela locadora famosa. Receita pro sedentarismo agressivo e prazeroso. Definitivamente quero morar lá um dia.


Sempre andei com o pessoal "das droga" principalmente admiradores de maconha. Nunca me meti a usar, nunca deu vontade e com o tempo vi que era ruim, como jogar lixo no chão é, alimentar a indústria das bocas-de-fumo. Ficou um lance tipo reciclagem: eu faço minha parte, faz quem quer e não discrimino quem não faz. Felizmente a maioria das pessoas que fumavam e com quem eu gostava de andar colocavam isso à parte na nossa relação e com uma piada ou oferecimento ocasional tive muitas boas risadas e até participei de rodinhas aonde pude rir de todas as leseiras sem estar usando nada. Sempre tem/teve os idiotas que acham que fumar é uma religião, que não fumar é coisa de careta, etc. Gente lesa. Pau no cú deles.


O que me trouxe de melhor foi aprender a não julgar ninguém por conta disso, conheci músicos, desenhistas, poetas, gente legal de bater papo e que por uma circunstância ou outra fumava ou cheirava. Eu mesmo, no sir, c'est ne necessaire pas. Imagino que o boost do café deve ser parecido com o lance do ecstasy ou do pó, mas eu me sinto particularmente desconfortável com essas alterações corporais. Não gosto de ficar agitado ou superexcitado.


Sexo. Uma cerveja ocasional. Música, muita música. Isso me dá um boost que eu curto tanto que me arrepiam os cabelos da nuca. 


A banda que eu estou realmente gostando de ouvir é a Smog. A música Hit the Ground Running não me sai da cabeça. Nem Set you free do Black Keys.


E hoje eu acordei com o Winamp no shuffle tocando Meu Amigo Pedro, do Raul Seixas. Sorri.

Niigata

Como estou escrevendo do meu laboratorio (procrastinando) nao posso colocar acentos. Nao que este seja um espaco de referencia para o portugues corretamente escrito. Long disso. Anyway...

Eu visitei Niigata em 2008 ainda, hoje por alguma razao desconhecida lembrei de la e quis salvar a memoria. Na verdade nao gostei muito de la, mas ja chegamos la.

Passei por la, na verdade, a caminho do Fuji Rock, o unico que fui ate agora. No Japao os principais festivais de rock sao o Fuji e o Summer Sonic, isso com bandas estrangeiras, so com bandas japas tem o Rising Sun, acho. Enfim, 2008 eu ainda tinha alguma grana do Brasil e nao queria perder a chance de ver o My Blood Valentine, coisa que fiz bem por que nunca mais eles fizeram apresentacoes (ate aonde eu sei). Entao comprei ingresso, reservei onibus e 15 horas depois cheguei em Niigata. O Fuji Rock na verdade eh em um cidade longe do Monte Fuji, parece que o primeiro festival foi la mas devido a bagunca tranferiram para um Ski Resort e ai ficou sendo la. Acho que inclusive ja postei sobre isso aqui mas nao faz mal, pelo menos pra mim mesmo. Peguei um trem-bala para o lugar, depois descobri que poderia ter pego um trem normal e pagado metade do preco, mas tudo bem, experienceei o Shinkansen e em meia hora estava la... na parada do onibus fretado que subia a montanha para o local do concerto.

O festival foi otimo, chegei la estavam tocando Rodrigo y Gabriela, assisti The President of USA, Bloc Party, Kururi, Kasabian, Travis e o MBV... Foi otimo. Tentei dormir a ceu aberto com outras centenas de pessoas mas a organizacao do evento pediu gentilmente a todos que nao o fizessem. Me aconcheguei em uma pequena floresta com o mesmo montante de gente e um numero proporcional de formigas e insetos, mas dormi e na manha seguinte deixei o lugar. O festival dura tres dias e pode-se acampar no local, mas custa o olho da cara e so comprei ingresso pra um dia. Deixei o lugar triste por que parecia uma versao japa de Woodstock ou Burning Man, com mil coisas acontecendo paralelamente aos shows e a musica eletronica non-stop. Enfim, tive que partir.

Chegando de volta em Niigata percebi meu erro, grande erro. Reservei o onibus de volta para noite e teria que gastar o dia todo naquela cidade desconhecida e cansado de nao ter dormido bem. Tinha um livro, tinha meu bloco de notas mas eles so me forneceram distracao por algumas horas. Terrivel. Resolvi ligar para um amigo checar na internet aonde eu poderia ir, nada de interessante. Comecei a vagar pela cidade, andei andei andei, como na musica do Xitaozinho e Chororo e nada do tempo passar.

Niigata nao tem nada mesmo. So uma cidade urbanizada mas sem atrativos. Vaguei por shopping centers entediantes, McDonalds cheios de adolescentes curiosos, tentei ate dar check-in em um motel mas nao aceitaram um cara sozinho (sic). Desesperado por descansar melhor que em bancos de praca tentei hoteis e estes nao faziam check-in depois do horario estabelecido. Meu Deus, que merda de cidade! Nada pra ver e nenhum lugar pra ir! Achei um fliperama e mais uma hora se passou, finalmente comecou a anoitecer. Meu onibus finalmente veio as 22 horas e na manha seguinte estava de volta a Kyoto.

Nunca mais fui por aquelas bandas, outros Fuji Rock aconteceram mas nada com tantas bandas que valessem a longa viagem e o tedio interminavel de Niigata.

20120509

Com todo o estúpido modismo de zumbis all around, dá pra encontrar coisas boas, lógico.

The Walking Dead é tão clássico que a TV fez uma série. Os quadrinhos são incrivelmente incríveis. Mil vezes o suspense e um verdadeiro livro-texto de como escrever estórias: grupos inteiros de personagens são eliminados dando um novo paradigma pra trama. Suspense que incomoda de tão supensioso. Melhor frase da série: "WE are the walking dead"

Mas enche meu saco esses modismos de coisas que são facilmente digeríveis. Quando tudo é muito fácil de fazer se torna banal. A utopia é chata, o tédio é o melhor amigo da perfeição. Já cansei de ver gente fazendo blogs de como sobreviver a ataques zumbis, apocalipse zumbi, como fazer feridas falsas e sangue falso convincente. Que saco. Vão à puta que os pariu.

Mas o nirvana da coisa, para mim, é iZombie. Lindo. Estou apaixonado por Gwen. Olha como ela é linda! A arte totalmente contraventora, o script curto e grosso. A idéia simples e original. Quadrinhos como devem ser. Pena que deve terminar esse ano, no número 28 (já está no 24 ou 25). Eu não vou contar nada, apenas veja a imagem que eu postei como título desse post e entenda como puder. E baixe, compre, sei lá, dê um jeito de pegar sua edição. Vale.

Bandas recomendadas a se ouvir durante a leitura: The Soft Boys (que também vão perfeitamente bem com a animação francesa The Fantastic Planet  (La Planète Sauvage en français, c'est trés bon, oui?) especialmente a música "Kingdom of Love")



 E a fácil de ouvir, fácil de ignorar e ainda assim muito prazerosa Someone Still Loves You Boris Yeltsin.

Eu ainda me apaixono pelas pequenas coisas da vida.

Menos blogs de zumbi. Esses aí fodam-se...






20120423

Namoros e namoricos

Minha amiga me perguntou no meu último post se eu sou do tipo que se afasta dos amigos quando namora. Achei melhor desenvolver a resposta aqui.

Primeiro... Respondendo a pergunta dela. Sim e não. Já fiz isso antes e me arrependo. Não faço mais ou pelo menos tento não faze-lo. É uma situação muito complicada de se explicar mas se resume até que de forma fácil:

Depende do quanto você gosta da pessoa. E do quão nojentinha ela/ele é.

A verdade simples é a mais pura. Quem gosta mesmo de ti não barra tuas amizades e nem enche teu saco. Ou não tem maturidade ou não tem auto-confiança (moda hoje em dia) e por consequência não confia em ti - ou usando o velho maniqueísmo "não confio nos teus amigos"

Sempre tem a situação do descobrimento, dos primeiros meses quando tudo em que se pensa é em estar junto com aquela pessoa nova e especial (defeitos só serão percebidos quando acabar a garantia) e quando se participa de poucos ou minguados círculos sociais, uma pessoa nova com novas opiniões sempre é um F5 no cotidiano. Fica fácil se afastar um pouco dos amigos. Aí que está o truque, acho eu. Tudo com moderação.

Também depende dos teus amigos e do quanto eles podem interagir com a tua nova diginissima. Tive namoradas que se davam bem com todo mundo, outras mais ou menos e umas paranóicas peidadas da cabeça. Alguns amigos começaram a requerer atenção justamente quando eu comecei a namorar, etc.

Cada caso é um caso diferente. Mas veja bem, quando eu me ausentei, ninguém puxou minha mão.

Mea culpa. Minha grandíssissima estúpida filha-da-puta culpa.

Mas é parte de crescer, penso eu. Quanto mais eu envelheço mais eu curto gente com experiência, muito menos mimimi pra escutar, muito menos insegurança alheia pra resolver. Já nem me importa se a fulana é mais rodada que a BR-174, até melhor, menos frescura.

Ainda assim, é perigoso cair numa dessa, a gente tende a acariciar os defeitos alheios, ou pior - ser conivente com eles. Ninguém quer educar ninguém, ninguém quer chegar pra um brother e dizer:

"Bicho, que merda é essa que tu tá fazendo?"

Ou em uma maneira mais educada:

"Amigo, desculpa aí, mas as coisas não são assim..."

E sabe por que? Por que a maioria das pessoas não vai escutar mesmo. De conselho o inferno está cheio, eles dizem. Ou tem que ser alguém muito próximo pra te dar pitaco ou tem que ser um livro/site de auto-ajuda. E assim mesmo as cagadinhas do caminha de tornar-mos-nos-eis-vós-sois-ereis acontecem. E muito.

Não pense que com gringo é mais fácil. HA.

Ha ha.

Beijos no coração partido de vocês. Se casar sara, olha. Sara merrrrrrrmo.

Te adoro, old little girl. Morro de saudades.

20120420

tempo perdido

A grande diferença de olhar pela janela agora e durante o inverno é que no inverno se tem uma desculpa para não ir lá fora.

Perder tempo é uma grande piada sem graça. Gastar o que nem se sabe o quanto se tem não fazendo nada, abraçar o fantasma da desmotivação em vez de exorcisa-lo. Não sentir nem um pouco de arrependimento de ver o dia ir dormir enquanto tu não dormes e acordar quando ele já tem duas patas. Se sentir mal por estar muito além das datas de entrega de coisas importantes mas não mexer um dedo naquela direção.

Se tornar mais e mais anti-social.

Dizem que tem hora para tudo, considero saber se há um tempo para se perder tempo, se alguma coisa vem além disso. É bom mesmo eu me movimentar. Vou telefonar para alguém, espero que atendam...

20120408

Ornatos Violeta & Eu

Das muitas coisas misturadas de lembranças de Porto, além de ter ido a um concerto guiado por uma francesa de voz rouca no meio da noite (o show começou por volta de 01:30, totalmente comum em Portugal) eu trouxe uma revista de música Blitz falando de coisas que se tornariam meus acompanhantes nestes dias. Black Keys, que eu não conhecia e que o El Camino não para de tocar "Dead and Gone" aqui no meu ouvido e os Ornatos Violeta, uma banda surpreendente - e de Porto, uma cidade que ganhou um lugar muito muito especial no meu coração.

Ornatos só teve dois albuns e é sensacional. Particularmente prefiro Cão!  a O Monstro Precisa de Amigos mas os dois são incríveis, "Punk Moda Funk" é uma das melhores músicas que ouvi nos últimos tempos, tudo que eu gosto de funk em uma canção só.

Estou up a explorar mais coisas dali. Nunca imaginei que me apaixonaria por Porto.

20120405

Eu reclamo demais

Minha namorada me deixou no chão com um comentário:

"Oh my God, you complain SO MUCH recently, you know what? You look like this kinda old dick!"

Com toda a autoridade e liberdade que ela tem para fazer tal comentário e com o meu hábito de ouvir as pessoas a quem eu considero próximas, me perguntei se eu realmente não reclamo demais. Reclamo da vida, de péssimos filmes, de péssimos atores e de artistas pop em geral.

Reclamo do frio do inverno que nunca acaba mesmo quando é primavera já (Spring is here again meu ovo) e reclamo de mim mesmo não tomar certas atitudes. Acho que ela tem razão. Deve ser hora de rever vários valores e observações.

Quando se dá uma de espertinho e sabichão o tempo todo, pára de ser divertido. Fun is over. That joke is not funny and I ain't joking when I say that.

Engraçado que eu sabia disso antes mesmo de ela falar, estávamos vendo um filme terrível que mais tarde ela também admitiu ser péssimo não só pelas presenças de Sarah Jessica-Parker e Jon Bon Jovi per si mas pelo roteiro desengonçado. E quando eu fechei a boca depois de abrir pra fazer um novo comentário desnecessário eu mesmo já me dizia a frase que ela me disse. Ainda bem que ela não ficou com raiva mesmo. Um empurrãozinho pra orientar.

Eu já vinha pensando nisso na verdade, desde uma tarde que estava sentado na beira do Rio Douro sozinho, curtindo cada minutinho e refletindo profundamente sobre minha vida presente.

Eu sabia que deveria melhorar. Eu sei que devo.

Melhor começar de algum lugar. E já.

20120403

Desacelerar

- Cortar internet do celular
- Lembrar da torre em frente aos campos de março/marte iluminada e como valeu a pena sentar na grama e esperar anoitecer
- Nunca jamais demonstrar-se um macho alpha ou coisa do genêro. Foi uma péssima experiência ter que ouvir aquilo tudo, mesmo que não tenha sido intencional por parte deles
- Tolerar em nome do karma e das coisas boas. Não significa fazer esforço para comunicar
- Mandar um número específico de pessoas à merda. Limpeza social faz tão bem quanto a limpeza da casa
- Correr apreciando a vista. Pensar quando parado.
- Ler livros que chamem a atenção e dão prazer. Ignorar os comentários pedantes de gente que acha que sabe das coisas. Mesmo que elas tenham um diploma na área. Mesmo assim. Ha ha.
- Aliás, ignorar o grau de educação das pessoas fora de questões profissionais. Deixar os inovadores radicais, conhecedores profundos e imitadores baratos que tentam ser algo mais seus pobres selves pra lá. Incluí-los no número específico x de pessoas a mandar à merda.
- Se x é um número específico de pessoas a mandar a puta que os pariu, é inversamente proporcional a quantidade de tranquilidade e de paz de espírito dividido pelo saco que nunca estará cheio enquanto eu tomar essa medida.
- Fazer coisas antigas. Refazer coisas novas.
- Buscar qualidade. A mais filosófica das questões.

20111225

Reinício - 1a. Parte - 1985

Em 1985 a patente para o primeiro scanner laser foi preenchida nos Estados Unidos pelas indústrias Cyberware, avançando periodicamente através da utilização da tecnologia para produção de filmes e criação de mapas para fins militares. Foi somente uma questão de tempo para que a tecnologia avançasse para um nível profissional - e miscroscópico. Foram aonde nossos problemas começaram.

Muitos na verdade não consideram este o início dos problemas mas sim das soluções tão aguardadas por tantas pessoas ao redor do mundo. O conceito da patente não englobava a total idéia do escaneamento laser, baseado nos mesmos conceitos do radar do morcegoa, aonde ondas sonoras permitem localizar objetos e criar um "mapa" das redondezas. A diferença era que o scanner usaria um feixe de luz para criar o mapa. Adjunto ao microscópio, revelaram-se os fatos que mudariam o mundo anos depois.

Veja bem, o conceito de vida biológica não decorre somente da presença de carbono ou movimento voluntário em um ser, como já foram encontrados seres na própria Terra que não atendem necessariamente estes requerimentos. Inteligência e consciência são completamente diferentes nestes quesitos. Nunca se foi precisamente determinado se as plantas possuem consciência, mas determinado foi com certeza que ao seu modo os animais possuem inteligência em maior e menor grau a atendendo suas necessidades mais específicas. Assim foi conosco. Nossas emoções e desejos aliadas à nossa inteligência nos permitiram alcançar desenvolvimentos que nos trouxeram muito mais que o necessário para nossas necessidades. Alcançamos o estágio de desenvolvimento da arte.

Os eventos que decorreram da criação do scanner laser tridimensional microscópico são contadas da data do preenchimento da patente por que ninguém sabe com certeza quem obteve os primeiros resultados e quando, visto que tal informação hoje é de autoria solicitada por várias autoridades ao redor do mundo. Nem se atribui à Cyberware a criação do mesmo por que o conceito já existia nas estórias de ficção científica amplamente distribuída por diversas mídias.

As implicações que mais pesaram do dia da Descoberta em diante foram as de caratér religioso. De uma semana para outra pessoas abandonaram Igrejas, ateus e agnósticos celebraram suas convicções e novas religiões nasceram. Ainda que ainda não sejam claros os detalhes da Evolução e quem a infligiu primeiro, a perda de fé foi grande. Para outras pessoas na verdade foi um sinal da Divindade, a aliança entre ciência e religião, tão esperada, tão aliviadora para pessoas que sempre andaram na linha entre fé e tecnologia. Reconfortante. O mundo mudou e ainda assim continuou o mesmo.

Continua...

20111224

Nunca mais vou beber de novo/Índios;Regret

É natal no Japão, são 9 e 40 da manhã em Manaus e o natal só vai ser comemorado no finalzinho da noite, as lojas devem estar lotadas.


Eu lembrei que eu gostava dessa música, Índios da Legião Urbana, cujos integrantes e adoração pelo Renato Russo eu desprezo. Mas tem essa música... E 1965 (Duas Tribos), Riding Song e Tempo Perdido. Não dá pra negar que essas músicas são boas. Índios é um pouco difícil de tocar, resolvi tentar, só pra variar.

Nesse exato momento estou ouvindo Regret do New Order. Era esse meu sentimento hoje de manhã, ainda é um pouco e eu adoro essa música "I would like a place I could call my own, have a conversation on the telephone..."

Bebi muito ontem, fiquei destruído, não prestei pra nada o dia inteiro. Prometi de novo que nunca mais ia beber, a mesma mentira de sempre.

Eu fiz o que não devia também. Não importa muito agora, espero que não venha a importar no futuro. Mas as coisas acontecem e não se pode muda-las. Só ter arrependimento e tentar ajeitar. Tentei, não sei como vai ser.

Tive um insight divino também. Jogado entre o cobertor elétrico e as roupas com cheiro de cigarro e álcool ainda, percebi que nada ia se consertar por si só. Levantei, fiz o que pude.

Não adianta pedir e esperar. Tem que fazer.


20111220

Coisas

Coisas que vejo por aqui, dificeis de explicar mas interessantes de ver.
Ah sim, minha mae veio e ja foi. Foi otimo passear com ela, as vezes esqueco como e bonito este pais... Mas ainda assim, a gente ve cada coisas como:

Origamis


A coruja com cara de buceta


Cha

Caledonia, minha hamster
 A misteriosa porta anti-gordo (ou somente muito estreita mesmo)

Loja de calcas de mulher... sem palavras
 O Parque e a Estacao da Doida

Eu, perdido em algum lugar


 The Maxx, alguem lembra?

A estranha entidade com chapeu de campones, sake, pinto de cogumelo e saco de boi velho

As gambiarras que se faz pra poder armar uma rede aonde as paredes sao de papel...

E por ai vai, vou tentar voltar a escrever todo dia (de novo)...



20111115

Mamãe Visita, o Homem do Lixo & Minha Vida Iluminada Por Uma Lâmpada Falhando

Pois é, arrumei tudo e minha querida criadora está no avião para São Paulo neste exato momento. De lá uma conexão para Doha e depois em Osaka, aqui pertinho. Serão 3 semanas de uma viagem internacional que eu espero que seja inesquecível para ela. Imagino como deve ser, já que ela quase não fala inglês (o que daria pra se virar sozinha por aqui), mas fé em Deus, vai ser tranquilo! Teve algumas complicações pra conseguir o visto por causa da greve dos correios, mas o pessoal do consulado foi muito gentil e saiu tudo em ordem bem antes da viagem. A passagem comprei pela internet, procurei no Skycanner e achei a um preço bem razoável pra essa época do ano, perguntei se ela queria vir na primavera, com as Sakuras e tal, mas ela preferiu ver o outono pela primeira vez. Sei a sensação. O vôo vai ser um pouco cansativo, com um total de 35 horas, incluindo escalas e transferências. Expliquei direitinho como é essas viagens e acho que vai ser tudo ok.

E agora eu estava vendo o que eu preciso preparar para recebê-la, mas não vai ser muita coisa não, vou tentar gastar o menor tempo possível dentro de casa, é muita coisa pra mostrar. Veremos!

Ah, meu PC-stein está montado e funcionando, ficou legal e gastei muito menos que imaginava. Ficou tão bom que roda o emulador de Game Cube/Wii numa boa. Vou mandar as partes do antigo pra casa assim meu irmão pode montar um PC-stein pra ele.

Aqui vai muito PC pro lixo, mas só depois que eles já estão superusados e detonados, acho que eu já disse isso aqui, mas japonês não é tão capitalista como se imagina, as vezes eles deixam de usar uma coisa antiga, mas eles usam MUITO o que eles tem antes de jogar fora. O que acontce é que se caçar, encontra várias coisas em excelente estado de conservação. Tem um cara aqui na minha rua que coleta coisas usadas, na verdade eu nem posso afirmar isso por que não entendo bem o que ele faz. Ele tem cerca de quatro casas no total, duas de frente para outras duas e estas estão apinhadas de entulho... Armários de metal, tábuas, rodas de patins, bacias, peças de computador, cabos de todos os tipos, etc. Eu não sei se é reciclagem por que tem coisas ali que há mais de ano nunca se moveram e se fosse reciclagem os metais já teriam ido pro brejo. Acho que ele vende algumas dessas coisas, mas não sei, não tem lógica. Pode ser que ele seja daquelas pessoas que são doentes e acumulam tudo, fazem pilhas infinitas de porcarias e coisas desnecessárias. Confesso que depois de vir morar aqui comecei a me livrar de certas coisas com medo de ficar daquele jeito. Ele não faz mal a ninguém, só atrapalha um pouco a passagem mas não é nada de se fazer uma queixa...

Acho que meu namoro está indo pro brejo também... Esse negócio de relações internacionais é muito complicado, é legal, mas muito complicado... O pior é que nem estou muito triste não, aliás pouco faço pra alguma coisa mudar. Acho que me deixei desgastar. Acontece... Uma hora eu encontro com alguém que se acerte comigo, afinadinho. Ruim é que nessa época de namoros ruindo (e depois também) a fé na humanidade fica tão baixa que o simples paradigma de uma nova relação enche o saco. Se acabar mesmo acho que vai ser hora do bloco do eu sozinho (sem referência à banda que fez esse disco, detesto tanto eles que nem vou dizer o nome. E hoje tive a infelicidade de saber que ano que vem eles vão se reunir... bleh).

Hoje eu dormi 14 horas e não saí de casa pra nada. Deve ser um alerta, daqui a 4 horas serão 8 horas e o Japão começa a rotina na maioria dos lugares, eu devo me encaixar nessa um pouco, pode ser uma boa por um dia, afinal na quinta-feira eu me torno anfitrião da mulher que me deu a vida (tinha a opção de não fazê-lo e fê-lo assim mesmo)... Acho que vai ficar tudo bem.

Caledônia manda abraços de hamster para todos. Ah e hamsters não fazem cocô por onde passam, tem o detalhe nojentinho de que eles comem as próprias fezes para digerir melhor nutrientes, então eles sempre fazem as obras perto de casa.

Acho que agora ninguém quer o tal abraço...

20111109

Monster PC e Caledônia

O carinha do Takyubin (entregas expressas) bateu aqui na porta e perguntou se eu era eu, mandou eu esperar um pouco. Assinei a papelada e quando eu vi o pobre rapaz quase se defecando pra carregar um caixa enorme. Ajudei ele que ficou aliviado de eu estar em casa e ele não precisar levar a jamanta de volta pro caminhão. O que veio dentro?
Pois é, botei um porta-canetas do lado pra ter uma idéia do tamanho. E é super pesado também!

Então, aqui no Japão o Yahoo! ainda é um site bastante visitado e tem o Yahoo! Auctions é uma das melhores coisas de lá. Dá pra comprar várias coisas a um preço legal se tiver paciência, já economizei uma grana com várias coisas de lá. Lembra o Arremate aí do Brasil, nem sei se ainda existe...

Então, querendo turbinar meu PC, fui atrás de um processador novo, só que era mais barato comprar um PC velho que tivesse o dito cujo, tinha pc de todo jeito, sem pé, sem cabeça... Depois de tentar dar um lance muquirana em vários deixei uma oferta mínima nessa criança aí e levei. Só que na foto parecia bem menor (normalmente é o oposto aqui no Japão, as coisas nas fotos são bem maiores que a realidade, inclusive pessoas, comidas e promessas de sexo). Enfim o trambolho chegou aqui e não sabia o que fazer. Já peguei o que queria, mas veio com vários bonus (fonte fodona, memórias extras, coolers com neon) Pelo tamanho e acessórias isso aí era um servidor de alguma empresa, o troço tem espaço pra 16 HDs. Resolvi montar um Frankstein e encomendei umas peças aí... Vamos ver o que vai dar.

Ah, eu queria apresentar a Caledônia, minha hamster:



Antes dela eu tinha o Johnny:


Johnny passou várias noites cavando um buraquinho na parede onde eu menos desconfiava e fugiu... Como naquele filme Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade). Sério. FDP se mandou. Culpa minha por deixa-lo livre da gaiola de noite, pra correr fora da rodinha.

A Caledônia é mais calma, menor (ela é um Siberiana Azul Safira, o Johnny era Dourado) às vezes deixo ela correr um pouco pelo apartamento mas ela mesma vai em direção a gaiola e volta.

No Japão é comum não ser permitido animais de qualquer tipo nos apartamentos. Peixes ou pássaros são aceitos. O dono do prédio não sabe nada, então tô seguro hehehe. Hamsters são animais noturnos, então durante o dia eu cubro a gaiola caso o dono venha aqui não vai saber de nada e nem ouvir barulhos.

Faz diferença ter um bichinho. É alguém pra cuidar e dizer boa noite. Quando se mora sozinho é importante. Terapêutico. Tenho saudade das minhas cadelas no Brasil. Sempre fui apegado, acho que é ausência paterna talvez...

Ganhei uma camisa do programa do Allan Sieber, pedi pra mandarem pra Manaus, já que pra cá com certeza não rolava. Foi legal ganhar alguma coisa assim, inesperada. hehe

20111105

Sono Pula-pula

São sete da manhã de uma manhã de outono em Kyoto, desde ontem uma névoa cobre a cidade que me lembra as famosas frieiras de Manaus, quando aconteciam. Às vezes tinha névoa quando eu estava indo para escola a pé, pertinho de casa. Lembro que uma vez até choveu um granizo fininho, coisa rara na Linha do Equador.

Aqui, não. Quatro estações, bem definidas, bem diferentes. Primavera cheia de Sakuras, volta às aulas, jaquetas leves, descobertas, flores. Verão (em Kyoto) como o dia-a-dia de Manaus, trinta graus gritantes e 80% de humidade, Praia de Shirahama, japoneses amarelo-escuros de sol e garotas de biquíni que me fazem broxar de tão cafonas que são. Outono, agora. Mudança das folhas, dias ainda quentes ou de repente super frios. Frutas novas no mercado, tomates ficam tão caros e os mosquitos desaparecem.

Eu odeio o inverno.

É frio DEMAIS. Quase não neva aqui, quando neva é lindo, mas quase não neva. Ano passado nevou 20 centímetros no último dia do ano e eu me senti criança, um Charlie Brown brincando com um Snoopy invisível. Eu estava sozinho na cidade mas nunca me senti tão acompanhado. Fiz anjos de neve, caí da bicicleta, bebi vodka com um punhado de neve misturado e considerei seriamente em amarrar raquetes de tênis no sapato pra ver se funcionava como um sapato de neve. Foi um dia legal, uma despedida cordial de 2010, um ano em que tomei decisões difíceis.

Mas nem sempre é assim, as árvores secam e ficam peladas, é preciso andar com um monte de roupas que me sufocam e minha conta de gás vai pra casa dos 5 dígitos. Bicicleta se torna tortura e ninguém quer sair de casa.

O problema de hoje é o meu sono que não vem e não vai. O pior de tudo é ficar no meio, meio cansado, meio inquieto. Sem dormir e não querendo deitar.

Eu sempre tive problemas pra dormir, desde pequeno, minha mãe só faltava enlouquecer com a minha falta de sono e inquietação. Não importava quão cedo eu acordasse, sempre ia dormir tarde.

Às vezes eu durmo coisa de 6, 7 horas por dia, durante uma semana, outras eu durmo entre 8 e 12 horas, totalmente fora de qualquer agenda. Se eu tenho algo sério pra fazer, acordo de algum jeito, nem durmo, até, com medo de perder o tal evento. Se não... a mãozinha preguiçosa desliga o despertador e a força de vontade dorme mais do que eu quando eu olho pra ela. O problema do Doutorado é que nínguem te puxa pra fazer nada (em muitos casos) então como a sua responsabilidade é só sua, fica fácil procrastinar ou simplesmente trabalhar de acordo com o seu humor.

Não terminei minha apresentação ainda, fiquei doente ontem a noite e não escrevi. Mas voltei aqui hoje por que lembrei que tinha de fazê-lo.

Ouvi uma banda genial hoje, The Soft Boys. A canção é Kingdom of Love e o vídeo é tudo de bom.

20111104

Um post por dia

Será que eu consigo sem ser vazio?

Não leio muitos blogs, não curto muito "internetar" dessa maneira, mas eu realmente gosto de algumas coisas. O Alan Sieber é um dos meus favoritos, desde muito tempo atrás. Agora ele está bem em alta com tanta coisa, programa de TV, etc. O David Thorne também é legal, mas ele publica quando quer. Outras coisas que eu vejo são blogs de amigos, sites das bandas que eu gosto, etc. Vlog, nem me passa. Acho que o do Felipe Neto sobre o Crepúsculo só.

Não sei bem como usar meu tempo com internet. meu PC está sempre ligado, mais por conta de downloads que de outras coisas. Na verdade estou atolado de coisas pra fazer, de coisas que eu quero fazer e de coisas que eu gostaria muito de fazer mas não sei por que não faço. Estava aprendendo russo com o Rosetta Stone mas parei prometendo pra mim mesmo que ia voltar, talvez o faça quando terminar aqui. Estava jogando Mass Effect, Bastion, Zelda Twilight Princess e Kirby Mass Attack e não terminei nenhum. Fiz uma letra e não terminei. Mas pelo menos comecei minha aprensentação de segunda-feira. E preciso terminar meu artigo, urgente. Não sei por que meu Sensei não me esculacha...

A vida aqui no Japão é tão comum quanto qualquer outra aí no Brasil depois de um tempo. Lógico que aparecem coisas novas de vez em quando mas não é sempre. E depois de 3 anos e meio (um a mais que o programado) as vida flui como fluiria em qualquer outro lugar.

Lembro uma vez que o João Francisco, um amigo meu, disse que se a gente é bom mesmo é bom em qualquer lugar, em Manaus, no Japão, na China... Verdade, a gente consegue fazer sim o que quer e o que gosta independente das condições. Talvez nem sempre exatamente como a gente quer mas um pouquinho de certeza. O João é um cara legal, ele escreve e lê um montão. Aparentemente ele não tem dúvida nenhuma sobre ter estudado letras. Eu gosto disso nele. Eu também fiz a escolha certa. Outro dia me perguntaram se eu não gostaria de ser médico ou advogado ou qualquer coisa que implique usar um jaleco ou um terno. Eu vi aquele filminho na minha cabeça? "Como Seria Se...?" e respondi de pronto: não. Tem muitas coisas que eu gosto de estudar e aprender sobre, mas profissionalmente minha área de trabalho me deixa bem contente.

E eu gosto tanto de música, não sou um músico brilhante mas tenho tanto prazer ouvindo, tocando, tentando que não posso passar sem. E informação. Aprender coisas novas, ler, adquirir, saber. As vezes eu pego alguma coisa comumente citada, sei lá, Tesla por exemplo e vou ver o que é. Faz tanto sentido saciar a curiosidade! Falando nisso, tenho que ver algo agora, senão esqueço. Amanhã eu volto, vou fazer o melhor pra isso!

20110822

Cut your hair

Uma das melhores músicas do Pavement.

Cortei o cabelo depois de dez anos com cachos caindo sobre as orelhas, ombros, crescendo e diminuindo sem jamais ser realmente curto. Dessa vez está curtinho.

Confesso um alívio tremendo. Confesso que um peso saiu das minhas costas.

Estava irritado com o cabelo, aparência, coisas que não mudam e problemas da vida. Resolvi eu mesmo mudar, começando de fora, já que por dentro é sempre mais difícil. E me sinto ótimo!

Nunca fiz do cabelo uma questão de atitude, só gostava de tê-lo comprido, adorava as meninas fazendo tranças ou simplesmente querendo mexer nos cachos que horas atrás eu ostentava. Agora não mais, mas me sinto leve, light, com cara de novo começo. Todo mundo gosta de novos começos, exceto quando eles vem depois de péssimos términos.

Mas eu terminei bem com meu cabelão, deixando uma saudade saudável e uma atmosfera de dez anos juntos mais serena. Eu rio a toa quando tento ajeitar o meu agora inexistente rabo-de-cavalo.

Estranho como uma coisa simples assim faz o mundo parecer mais legal.

E eu pareço mais novo também haha.