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20120517

Niigata

Como estou escrevendo do meu laboratorio (procrastinando) nao posso colocar acentos. Nao que este seja um espaco de referencia para o portugues corretamente escrito. Long disso. Anyway...

Eu visitei Niigata em 2008 ainda, hoje por alguma razao desconhecida lembrei de la e quis salvar a memoria. Na verdade nao gostei muito de la, mas ja chegamos la.

Passei por la, na verdade, a caminho do Fuji Rock, o unico que fui ate agora. No Japao os principais festivais de rock sao o Fuji e o Summer Sonic, isso com bandas estrangeiras, so com bandas japas tem o Rising Sun, acho. Enfim, 2008 eu ainda tinha alguma grana do Brasil e nao queria perder a chance de ver o My Blood Valentine, coisa que fiz bem por que nunca mais eles fizeram apresentacoes (ate aonde eu sei). Entao comprei ingresso, reservei onibus e 15 horas depois cheguei em Niigata. O Fuji Rock na verdade eh em um cidade longe do Monte Fuji, parece que o primeiro festival foi la mas devido a bagunca tranferiram para um Ski Resort e ai ficou sendo la. Acho que inclusive ja postei sobre isso aqui mas nao faz mal, pelo menos pra mim mesmo. Peguei um trem-bala para o lugar, depois descobri que poderia ter pego um trem normal e pagado metade do preco, mas tudo bem, experienceei o Shinkansen e em meia hora estava la... na parada do onibus fretado que subia a montanha para o local do concerto.

O festival foi otimo, chegei la estavam tocando Rodrigo y Gabriela, assisti The President of USA, Bloc Party, Kururi, Kasabian, Travis e o MBV... Foi otimo. Tentei dormir a ceu aberto com outras centenas de pessoas mas a organizacao do evento pediu gentilmente a todos que nao o fizessem. Me aconcheguei em uma pequena floresta com o mesmo montante de gente e um numero proporcional de formigas e insetos, mas dormi e na manha seguinte deixei o lugar. O festival dura tres dias e pode-se acampar no local, mas custa o olho da cara e so comprei ingresso pra um dia. Deixei o lugar triste por que parecia uma versao japa de Woodstock ou Burning Man, com mil coisas acontecendo paralelamente aos shows e a musica eletronica non-stop. Enfim, tive que partir.

Chegando de volta em Niigata percebi meu erro, grande erro. Reservei o onibus de volta para noite e teria que gastar o dia todo naquela cidade desconhecida e cansado de nao ter dormido bem. Tinha um livro, tinha meu bloco de notas mas eles so me forneceram distracao por algumas horas. Terrivel. Resolvi ligar para um amigo checar na internet aonde eu poderia ir, nada de interessante. Comecei a vagar pela cidade, andei andei andei, como na musica do Xitaozinho e Chororo e nada do tempo passar.

Niigata nao tem nada mesmo. So uma cidade urbanizada mas sem atrativos. Vaguei por shopping centers entediantes, McDonalds cheios de adolescentes curiosos, tentei ate dar check-in em um motel mas nao aceitaram um cara sozinho (sic). Desesperado por descansar melhor que em bancos de praca tentei hoteis e estes nao faziam check-in depois do horario estabelecido. Meu Deus, que merda de cidade! Nada pra ver e nenhum lugar pra ir! Achei um fliperama e mais uma hora se passou, finalmente comecou a anoitecer. Meu onibus finalmente veio as 22 horas e na manha seguinte estava de volta a Kyoto.

Nunca mais fui por aquelas bandas, outros Fuji Rock aconteceram mas nada com tantas bandas que valessem a longa viagem e o tedio interminavel de Niigata.

20111220

Coisas

Coisas que vejo por aqui, dificeis de explicar mas interessantes de ver.
Ah sim, minha mae veio e ja foi. Foi otimo passear com ela, as vezes esqueco como e bonito este pais... Mas ainda assim, a gente ve cada coisas como:

Origamis


A coruja com cara de buceta


Cha

Caledonia, minha hamster
 A misteriosa porta anti-gordo (ou somente muito estreita mesmo)

Loja de calcas de mulher... sem palavras
 O Parque e a Estacao da Doida

Eu, perdido em algum lugar


 The Maxx, alguem lembra?

A estranha entidade com chapeu de campones, sake, pinto de cogumelo e saco de boi velho

As gambiarras que se faz pra poder armar uma rede aonde as paredes sao de papel...

E por ai vai, vou tentar voltar a escrever todo dia (de novo)...



20111115

Mamãe Visita, o Homem do Lixo & Minha Vida Iluminada Por Uma Lâmpada Falhando

Pois é, arrumei tudo e minha querida criadora está no avião para São Paulo neste exato momento. De lá uma conexão para Doha e depois em Osaka, aqui pertinho. Serão 3 semanas de uma viagem internacional que eu espero que seja inesquecível para ela. Imagino como deve ser, já que ela quase não fala inglês (o que daria pra se virar sozinha por aqui), mas fé em Deus, vai ser tranquilo! Teve algumas complicações pra conseguir o visto por causa da greve dos correios, mas o pessoal do consulado foi muito gentil e saiu tudo em ordem bem antes da viagem. A passagem comprei pela internet, procurei no Skycanner e achei a um preço bem razoável pra essa época do ano, perguntei se ela queria vir na primavera, com as Sakuras e tal, mas ela preferiu ver o outono pela primeira vez. Sei a sensação. O vôo vai ser um pouco cansativo, com um total de 35 horas, incluindo escalas e transferências. Expliquei direitinho como é essas viagens e acho que vai ser tudo ok.

E agora eu estava vendo o que eu preciso preparar para recebê-la, mas não vai ser muita coisa não, vou tentar gastar o menor tempo possível dentro de casa, é muita coisa pra mostrar. Veremos!

Ah, meu PC-stein está montado e funcionando, ficou legal e gastei muito menos que imaginava. Ficou tão bom que roda o emulador de Game Cube/Wii numa boa. Vou mandar as partes do antigo pra casa assim meu irmão pode montar um PC-stein pra ele.

Aqui vai muito PC pro lixo, mas só depois que eles já estão superusados e detonados, acho que eu já disse isso aqui, mas japonês não é tão capitalista como se imagina, as vezes eles deixam de usar uma coisa antiga, mas eles usam MUITO o que eles tem antes de jogar fora. O que acontce é que se caçar, encontra várias coisas em excelente estado de conservação. Tem um cara aqui na minha rua que coleta coisas usadas, na verdade eu nem posso afirmar isso por que não entendo bem o que ele faz. Ele tem cerca de quatro casas no total, duas de frente para outras duas e estas estão apinhadas de entulho... Armários de metal, tábuas, rodas de patins, bacias, peças de computador, cabos de todos os tipos, etc. Eu não sei se é reciclagem por que tem coisas ali que há mais de ano nunca se moveram e se fosse reciclagem os metais já teriam ido pro brejo. Acho que ele vende algumas dessas coisas, mas não sei, não tem lógica. Pode ser que ele seja daquelas pessoas que são doentes e acumulam tudo, fazem pilhas infinitas de porcarias e coisas desnecessárias. Confesso que depois de vir morar aqui comecei a me livrar de certas coisas com medo de ficar daquele jeito. Ele não faz mal a ninguém, só atrapalha um pouco a passagem mas não é nada de se fazer uma queixa...

Acho que meu namoro está indo pro brejo também... Esse negócio de relações internacionais é muito complicado, é legal, mas muito complicado... O pior é que nem estou muito triste não, aliás pouco faço pra alguma coisa mudar. Acho que me deixei desgastar. Acontece... Uma hora eu encontro com alguém que se acerte comigo, afinadinho. Ruim é que nessa época de namoros ruindo (e depois também) a fé na humanidade fica tão baixa que o simples paradigma de uma nova relação enche o saco. Se acabar mesmo acho que vai ser hora do bloco do eu sozinho (sem referência à banda que fez esse disco, detesto tanto eles que nem vou dizer o nome. E hoje tive a infelicidade de saber que ano que vem eles vão se reunir... bleh).

Hoje eu dormi 14 horas e não saí de casa pra nada. Deve ser um alerta, daqui a 4 horas serão 8 horas e o Japão começa a rotina na maioria dos lugares, eu devo me encaixar nessa um pouco, pode ser uma boa por um dia, afinal na quinta-feira eu me torno anfitrião da mulher que me deu a vida (tinha a opção de não fazê-lo e fê-lo assim mesmo)... Acho que vai ficar tudo bem.

Caledônia manda abraços de hamster para todos. Ah e hamsters não fazem cocô por onde passam, tem o detalhe nojentinho de que eles comem as próprias fezes para digerir melhor nutrientes, então eles sempre fazem as obras perto de casa.

Acho que agora ninguém quer o tal abraço...

20111105

Sono Pula-pula

São sete da manhã de uma manhã de outono em Kyoto, desde ontem uma névoa cobre a cidade que me lembra as famosas frieiras de Manaus, quando aconteciam. Às vezes tinha névoa quando eu estava indo para escola a pé, pertinho de casa. Lembro que uma vez até choveu um granizo fininho, coisa rara na Linha do Equador.

Aqui, não. Quatro estações, bem definidas, bem diferentes. Primavera cheia de Sakuras, volta às aulas, jaquetas leves, descobertas, flores. Verão (em Kyoto) como o dia-a-dia de Manaus, trinta graus gritantes e 80% de humidade, Praia de Shirahama, japoneses amarelo-escuros de sol e garotas de biquíni que me fazem broxar de tão cafonas que são. Outono, agora. Mudança das folhas, dias ainda quentes ou de repente super frios. Frutas novas no mercado, tomates ficam tão caros e os mosquitos desaparecem.

Eu odeio o inverno.

É frio DEMAIS. Quase não neva aqui, quando neva é lindo, mas quase não neva. Ano passado nevou 20 centímetros no último dia do ano e eu me senti criança, um Charlie Brown brincando com um Snoopy invisível. Eu estava sozinho na cidade mas nunca me senti tão acompanhado. Fiz anjos de neve, caí da bicicleta, bebi vodka com um punhado de neve misturado e considerei seriamente em amarrar raquetes de tênis no sapato pra ver se funcionava como um sapato de neve. Foi um dia legal, uma despedida cordial de 2010, um ano em que tomei decisões difíceis.

Mas nem sempre é assim, as árvores secam e ficam peladas, é preciso andar com um monte de roupas que me sufocam e minha conta de gás vai pra casa dos 5 dígitos. Bicicleta se torna tortura e ninguém quer sair de casa.

O problema de hoje é o meu sono que não vem e não vai. O pior de tudo é ficar no meio, meio cansado, meio inquieto. Sem dormir e não querendo deitar.

Eu sempre tive problemas pra dormir, desde pequeno, minha mãe só faltava enlouquecer com a minha falta de sono e inquietação. Não importava quão cedo eu acordasse, sempre ia dormir tarde.

Às vezes eu durmo coisa de 6, 7 horas por dia, durante uma semana, outras eu durmo entre 8 e 12 horas, totalmente fora de qualquer agenda. Se eu tenho algo sério pra fazer, acordo de algum jeito, nem durmo, até, com medo de perder o tal evento. Se não... a mãozinha preguiçosa desliga o despertador e a força de vontade dorme mais do que eu quando eu olho pra ela. O problema do Doutorado é que nínguem te puxa pra fazer nada (em muitos casos) então como a sua responsabilidade é só sua, fica fácil procrastinar ou simplesmente trabalhar de acordo com o seu humor.

Não terminei minha apresentação ainda, fiquei doente ontem a noite e não escrevi. Mas voltei aqui hoje por que lembrei que tinha de fazê-lo.

Ouvi uma banda genial hoje, The Soft Boys. A canção é Kingdom of Love e o vídeo é tudo de bom.

20110504

3 anos e 2 meses

Faz tempo. Parei de escrever aqui, me cansei, achei chato, achei que o conteúdo estava ruim e resolvi mudar, depois de todo esse tempo. Não são 3 anos e 2 meses que eu não escrevo e sim o tempo em que estou no Japão.

Muita coisa aconteceu nesse tempo, incluindo uma visita ao Brasil que me trouxe mais problemas que alívios. Terminei o mestrado e passei pro PhD. Há uma ano e meio atrás eu jurava que não estaria aqui, no entanto...

É realmente difícil definir certos planos para o futuro. Antes parecia mais fácil, quando eu estava na graduação, as coisas seguiam uma lógica que acontecia conforme o esperado na maioria das vezes e nos assuntos que diziam respeito às minhas responsabilidades. Tudo baseado no conhecimento de nossa cultura, estilo de vida e comportamentos sociais.

Aqui isso tudo foi por água abaixo. Outras pessoas que quanto mais você se aproxima se torna mais difícil lidar com as diferenças. Percebe-se ser mais cabeça-dura e rabugento do que se imagina e de não querer abrir mão de coisas aparentemente sem significado.

Acho que sôo bastante pessimista mas infelizmente não estou na minha melhor fase. Minha viagem ao Brasil na verdade me confundiu mais do que definiu. É minha casa, sem dúvida. Talvez eu precisasse de mais tempo sozinho, pra andar ao redor e o que é o quê. Matei saudades de muitas coisas que eu realmente amava, coisas pequenas mas importantes e lógico minha família.

Mas foi chocante vê-los também. Tive que me reacostumar com a presença de todos e suas aparências singela mas significativamente mudadas, É assustador passar tanto tempo fora e voltar de repente. Não recomendado.

De qualquer maneira, quero voltar nesse espaço e narrar desaventuras e coisas interessantes daqui e da minha vida em geral, pra quem quiser ler, pros meus amigos.

Mudanças aqui, aqui (na minha vida) e aí. Um brinde ao que ninguém pode prever.

Alex

20091117

Arubaito

É a palavra japonesa pra "trabalho temporário". Pois é, comecei um. Um amigo meu estava trabalhando nesse bar, que ele achou através de um anúncio de oferta de baito, foi lá e me falou que era ótimo e que estavam precisando de alguém pros finais de semana. Como normalmente eu GASTO dinheiro no fim-de-semana resolvi ganhar algum... e tem sido legal!

Primeiro os interesses financeiros, esse trabalho paga como poucos, 1000 iens por hora, quando a média de um clube bem movimentado é 800. Trabalho 5 horas por noite todo sábado e domingo, ou seja, de 40 a 45 mil ienes por mês (comecei neste mês de novembro) que dá uns 750 reais mais ou menos. Nada mal.

Segundo, o barzinho é meio chique, pra quem tem grana. Só o "charge", a graninha só pra sentar é 800 iens. Dois barmen profissionais trabalham lá, um inclusive ganhou um concurso recentemente. Essa é outra coisa boa, eu não sirvo bebidas. O que eu tenho que fazer?

1 - Lavar a louça. E enxugar. Parece simples, mas como os caras são profissionais, tem todo um jeitinho de fazer tudo e eles estão sempre observado se eu estou fazendo como eles dizem.
2 - mais importante - conversar com os clientes. O dono do bar usa o "fator gaijin" ou seja, o cliente fica curioso com um gaijin trabalhando ali, puxa conversa, coisa vai coisa vem, o cliente bebe mais, as vezes paga uma rodada e assim o dinheiro vai rolando.

Lógico, tenho que andar apresentável, cabelo preso e penteado, sapato social e o uniforme preto do bar, mas não dói e nem me incomoda. O que me tem sido mais interessante não é o dinheiro em si, mas as pessoas que eu tenho encontrado.

Por que? Bom, aqui no Japão, mais que no Brasil, é muito fácil perder a fé na humanidade e querer mais é que o bicho-homem se exploda. Nesse barzinho perdido nos cantos de Kyoto, eu já conheci gente extremamente interessante. De verdade! Lógico que na maioria das vezes vai alguém que se interessa um pouco, conversa e acaba ali. Mas eu conheci uma moça que saca tudo de filmes, animes, música. Conversamos sobre filmes tipo Os Intocáveis, Trainspotting, etc. AONDE que neste país eu encontro gente assim com facilidade? Na faculdade estão as mentes mais fechadas que eu já conheci. Pelo jeito tenho que sair mais.

E o que é mais legal: mesmo com meu japonês fuleiro, as pessoas querem se comunicar, querem falar comigo. Me sinto bem.

Mas outro dia... Ah. Eu vi um anjo. Eu vi a mão de Deus e abaixei a cabeça em arrependimento. Jesus, que garota linda. Ela veio com os pais que são amigos do dono do bar, ela me deu um sorriso que me fez passar dois dias mal. Foi tão simpática que passei dois dias triste de saber que existe tanta beleza no mundo. Uma tristeza boa. Infelizmente minhas obrigações profissionais e a presença dos pais dela me impediram de qualquer ato, mas o que eu tive dela foi o suficiente.

Nos outros dias normalmente vem uns clientes costumeiros, tem um senhor lá que só bebe chá mas paga rodada pros trabalhadores direto. Outro dia voltei bêbado de tanto saquê, parei no boteco brasileiro e lá o cara me dá uma taça de vinho. Fui embora antes que não pudesse andar de bicicleta.

No fim, tem sido divertido, às vezes os barmen são muuuuito sacais, educados demais, mas é o clima do bar e o jeito japonês de ser... Nem esquento mais.

Oh, e o Superchunk vem aí!!!! Já estou com meus ingresso aqui na mão! Vou lá cantar com eles

I heard this song
On the radio once
I stole a bar
I stole a drink
I used the last straw from my ink
Sometimes I fear, I neglect to think

Cool, do disco Tossing Seeds

20090723

Yokohama

O corpo dela se espalhou preguiçosamente pela minha cama de solteiro. A pele branquíssima, típica dos povos de países frios a maior parte do tempo. Momentos de felicidade terríveis, mas sem avançar mais do que o que já se tinha avançado. A consciência pesou e deixamos de nos entregar a febre da carne...

No dia seguinte eu acordo em um cyber-café, que aqui funciona também como uma espécie de hotel baratíssimo, por que tem cabines onde se pode deitar. Barato, prático. Yokohama. 8 horas de um ônibus extremamente desconfortável depois, estou em um cyber-café perto da Estação Yokohama, a estação principal da 3a. maior cidade do Japão. Saio ainda sonolento e com o pescoço em frangalhos e tomo o rumo à estação. Ao chegar perto do local do Festival, encontro uma rede de comida japonesa conhecida, comida barata, rápida, nem tão saudável mas ao menos melhor que McDonalds ou Mr. Donut.

O Nano Mugen Festival é organizado pelos caras da Asian Kung-fu Generation, a única banda japonesa que tem meu completo respeito. Esse ano não vou pro Fuji Rock por que só tem o Franz e o Weezer, como já vi o Weezer, não vale a pena se deslocar tão longe por causa de uma banda. Então vim pro Nano. E Yokohama é perto de Tokyo por sinal...

O grande motivo mesmo foram eles: Nada Surf. Uma hora de show e fiquei feliz, muito feliz. Eu escuto esses caras desde meus 15 anos, desde que comecei a escutar rock. Só falta o Superchunk agora.

O Festival também tem outras coisas interessantes, Hard-Fi (razoável, banda nova), Young Punx (muito bom, me surpreendi). O Manic Street Preachers cancelou, mas tudo bem. As bandas japas... Só o Asian. Eles são os únicos que não ficam fazendo performances exageradas e tem um rock realmente decente, nada dos típicos fabricados que nem merecem ser citados aqui.
O festival acaba e vou pra Sakuraguicho, perto do porto. Dou uma volta na maior roda-gigante do Japão, sozinho mesmo, tirando muitas fotos e ficando com medo de altura.

Acordo de novo no cyber-café. São 7 da manhã. Resolvo caminhar, chego de novo na roda-gigante mas não vou lá, sigo o caminho do porto e a brisa do mar começa e me deixar preguiçoso. Sento em um banco perto de um prédio histórico todo feito de tijolos vermelhos e termino de ler Diary, do Chuck Palahniuck. Não é muito bom. Percebo que com o sol morno ganhei um bronzeado, sigo o cais e tiro muitas fotos. Algo me inquieta. É ela.

Yamashita Park, Chinatown e de volta para Estação Yokohama. Eu adoto uma tática. A cada hora de caminhada eu paro e leio o livro. Ou escrevo. E assim as frações de tempo necessárias para eu voltar no ônibus noturno vão passando. Desisto de ir à Tokyo, estou sem humor. Não sei por quê.

E então entendo... Estou de coração partido. Subitamente entendo. Aquelas mãos brancas e macias, aquela respiração soltando algumas palavras em inglês com sotaque carregado de erres. Nada disso será para mim. Não pode, não deve. Talvez se fossemos adolescente e inconsequentes, talvez se não estivéssemos aqui. Mas depois de uma certa idade, aprende-se a respeitar certas coisas. Compromisso sérios e relações homem-mulher, quando já se passou por algumas situações ou conviveu próximo a elas, sabe-se que deve-se tomar cuidado.

E tomamos, não fomos adiante. Quando voltei a Kyoto, sentamos em um banquinho de praça, abrimos nossos corações e concordamos que por mais tentador que seja, é óbvio o que temos que fazer. Continuar como se nada tivesse acontecido. E nunca contar pra ninguém. Pelo menos não citando nomes ou qualquer referência que possa cruzar informações. Trato feito, corações partidos, nos vemos por aí.

Yokohama é ótima, o porto e o mar chamam sua alma.
Nada Surf vai ser sempre importante pra mim.
Beber sempre ajuda.

heh.

20090527

Mulé bixo difiço

É foda isso aqui viu... Vai entender esse povo. Às vezes dizemos que o mundo pequeno por que em 12 horas se consegue ir de um lado ao outro do globo, ou por quê encontramos alguém que conhece outro alguém que conhecemos em algum lugar remoto. A verdade é que a gente toma esses fatos pra se sentir mais perto de todo mundo, eu acho... Não parecer que se percorrem léguas e léguas... Essas coisas.

Mas aí, quando tu vens pro Japão ou pra essas culturas mais ou menos surtadas como tal, você vê que o mundo é tão fodidamente grande que o pensamento e bom senso mudam demais. E as vezes não! Aí o mundo parece pequeno de novo, complicado isso.

Dando esta volta do cacete só querendo dizer que apesar de estar na batatalândia, terra do olho puxado e da perna grossinha bonitinha (e infelizmente em 60% dos casos, torta), gamelândia, tecnologialândia, sushilândia e outras lândias aplicáveis, a mulherada aqui é tão complexa quanto no Brasil. Com a diferença que as chances de tu saberes o que elas estão pensando é muito, muito menor.

Tudo bem com algumas situações, é alias querer demais alguma coisa ou outra comigo mesmo, estudante estrangeiro, sem futuro aqui, culturalmente discriminado (ainda que disfarçadamente e por poucos), devendo voltar para o BR em um ano e meio... EU entendo. O problema é elas, eu não sei e não sei e não sei, queria saber o que se passa nessas meninas.

Meu lado loser tem falado alto ultimamente, mas tenho dado ouvidos a ele pelo simples fato de eu justamente não entender bem essa moçada que não joga Mortal Kombat, não conhece autores estrangeiros e raramente vai ao cinema... Aí fico no dilema da desistência ou da insistência ou pior, da estagnação entre um e outro e o tempo, funcionário modelo, continua seguindo.

Acho que todo ano o tempo é funcionário do ano. E do mês. E com o currículo mais invejado.

De qualquer jeito, tudo é muito complexo, queria que fosse mais fácil, todo mundo quer, todo mundo gosta, quem diz que não mente descaradamente uma mentira cabeluda. Pra quem é fácil, é. Pra quem não é, cheira chulé. E dá um jeitinho. Eu vou ficar na surdina que é mais jogo.

Foi só pra quebrar o sutureso (stress), essa de hoje. Não lê isso aqui não.

20090327

O frio is back (pelo menos por alguns dias)

AAAAAAAAhhhhh, foi só falar... Ainda esta fazendo um frio danado de vez em quando... O engraçado eh que as Sakuras (cerejeiras) estão florescendo com tudo. Eu achava que a senescencia era por causa do frio, mas acho que eh só a época mesmo. Basicamente tem 3 tipos de sakura, a rosa-choque, menos frequente; a rosa normal, que todo mundo conhece e eh a mais presente e aquela coisinha morta de gostosa da serie Street Fighter (ah se existisse uma japa com aquele corpo...)

Anyway, a rosa-choque floresce primeiro, então já vi algumas por ai cheias de flores, coloco fotos depois. As normais estão começando, umas já estão um pouco, outras nem tanto... A do Street Fighter ta com tudo desde o Street Fighter Alpha 2 e principalmente agora no Street Fighter 4 ta impressionivel hehe. O que eh bonito aqui em Kyoto eh que a beira do Kamogawa, o igarape-rio que corta a cidade, eh cheia de sakuras, e como o rio corta a cidade, pode-se andar vários kilometros como aquelas belezas adornando o riozinho e a avenida Kawabata (que acompanha o percurso do rio).

Oh, mas o frio, o frio (o horror... o horror...) ainda não me livrei completamente dele. Pessoal ta dizendo que esse ano esta unusual para essa época. Lembro quando eu cheguei quase um ano atrás (pois eh, falo disso no aniversario) não senti tão forte assim, quer dizer sentia frio, mas só usava uma jaquetinha de nada. Ai fica a pergunta se me tornei mais tolerante ou mais "sensível" (ui!) ao frio. Veremos. Saudade demais de casa...

20090120

Oh dia, oh noite, oh vida... (e Mark Arm ri no palco)

Estou aqui no meu apezinho japones, de 10 tatames (grande pra o padrao local) dando um tempo pra minha cabecinha cabeluda de uma traducao terrivel que eu tenho que terminar. A culpa eh da preguica, como sempre, podia ter feito isso pouquinho a pouquinho no tempo todo desde que o professor de Forestry & Society pediu, mas que saco, eu sempre vejo tanta coisa pra fazer, tanto lugar pra ir e tanto Star Trek pra assistir (e agora Harvey Birdman, ou Harvey o Advogado)... Um saco, um capitulo inteiro sobre bambu, e o bambu? lembrei do silvio santos. Como eu nao podia fazer uma apresentacao por causa do meu japones, o cara me pediu pra traduzir um capitulo do livro. Eu nunca achei que fosse ser facil, mas eh especialmente dificil, varias definicoes e palavras que sao referentes a cultura do bambu do japao, achar uma traducao condizente em ingles eh um senhor exercicio. Fora que amanha comecam as revisoes pra prova final de japones, essas semanas prometem. Ai hoje eu tava quase terminando, falta um paragrafo, que leva de 30 a 40 minutos pra ser traduzido por mim, dependendo da complexidade dos kanjis, to usando 3 dicionarios, 2 eletronicos e o insubstituivel de papel. Ai vim em casa comer e dar um tempo. Tem uma hora que a gente ve o rendimento da gente cair, entao eh melhor parar. Mas vou ja voltar pra la.

E ai, bundando aqui na net me lembrei de falar do show do Mudhoney, que foi massa para caralho, foi muito bom. Cheguei la achando que ia ser o padrao, beber sozinho, curtir sozinho e depois voltar todo doido pra casa de tanto pular no meio da japonesada. Mal entrei, um figura da Kyodai me aborda, morto de bebado e jogamos umas conversas fora. Depois apareceram umas gringas, ate ai ta ne, nada de novidade em Osaka (nem em Kyoto se fosse o caso), mas ai o bebado puxou um papo e eu conheci as australianazinhas turistando o Japao. Tenho que admitir, meninas boazudas viu... Na ausencia de fatores carnais que aqui comumente se encontra elas eram uma visao e tanto. Conversa vai e vem, o show comeca, combinamos de ir pra algum lugar depois. Nisso conheci um casal que a menina me lembrava a Blinda Butcher, um casalzinho indie, gente boa. Comeca o show com uma tal de Joe Heights, banda japa, eu nem me empolgo, mas tava bebendo e eles eram instrumentais ate que legais, ai curti... Quando o Mud comecou eh que foi foda, ja chegou arrebentando, o Mark Arm parece um Iggy Pop menos acrobatico, mas nao menos carismatico. Ele entrou e fez que nem lutador de sumo, dando aqueles passos pesados, foi foda, muito foda, sai de la bebado e com a garganta doendo muito de tanto gritar. Consegui uma foto do repertorio com meu cel e a palheta do guitarrista, souvenirs legais e faceis de guardar. As australianas? Sumiram, escafederam-se, eu nem ai, gringo eh assim mesmo, ainda mais turista. O bebado? Tbm sumiu... haveria uma conexao? Heheheh nem liguei, no estado que eu tava so passei meu email pro casal indie pra eles me mandarem as fotos do show que a Blinda cover tirou secretamente e rumei de volta pra Kyoto no frio invernal e infernal que ta fazendo. Melhor voltar pro lab e terminar a traducao. Techau.

20090112

Neve Meeeeeeeeesmo


Eita po***!!! Nevou tudo aqui, nevou canivete, gato, privada, tudo! NEVOU nesta bu****! Foi massa! Parecia aqueles filmes de natal, os flocoes de neve caindo, os carros e casas cobertos de neve. Fui com os brothers que tavam aqui na secura jogando Soul Calibur II (jogo porreta por sinal) pro telhado do predio e ai fizemos o padrao: guerra de bolas de neve! Heheheh, engracado que quando neva nao eh tao frio quanto eu imaginava, logico que tem que estar aquecido, mas pro frio que costuma fazer aqui tava tranquilo. Depois foi a vez da famosa vodka com neve, uma "tradicao russa" ( nem sei se eh verdade) e ai fomos andar pela vizinhanca. Os trilhos do trem, as bicicletas estacionadas, as arvores... Tudo coberto. Nem preciso dizer que na manha seguinte tava tudo lindo, branquinho, mas durou pouco, o sol derreteu tudo. Kyoto, inclusive, nao costuma ter muita neve, tive sorte! Tem umas fotos ai:

20081226

10.000 iens

Ah... noite passada fui a Osaka encontrar meu bom amigo Hamish, o qual conhece indie/alternativo tanto quanto eu ou mais, pela sua idade. Ao que meu retorno procedeu, não mais havia trem ate a parte de Kyoto onde por ora me adereço. Então, ao chegar na estacao limite do ultimo trem, dei-me por infeliz e de ma-sorte e retrocedendo a ideia inicial de caminhar quilometros na fria noite invernal, tomei o fim de uma fila para táxis. Notei no entanto que me encontrava deveras envergonhado para, como no Brasil, perguntar quem possivelmente iria rumo a um destino próximo ao meu, mas ao perguntar a um taxista, este o fez e portanto dividimos este táxi de um aparentemente embriagado senhor. Me acompanharam um homem com sacolas de compras e uma mulher de voz macia e amigável. Ao longo do caminho, como eh a tradição por estas bandas, perguntaram-me a origem e o propósito, ao que informei com grande cordialidade e embora não tanto quanto gostaria acrescentei comentários que faziam jus aos tópicos noturnos. O homem desceu a meio caminho, tendo pago sua parte. Seguimos adiante e o chofer havia me dito que poderia me levar mais perto de casa sem problemas, uma vez que minha proposta inicial era de deixar-me a quatro estacoes de distancia de casa, distancia que poderia eu percorrer sem problemas. Sua generosidade me deixou feliz, pois não seria necessário nenhum adicional, mas quando a senhora desceu do carro, deu uma nota de dez mil iens ao motorista e com um sorriso disse-me para continuar firme em meus estudos. Em minha surpresa não pude expressar mais agradecimentos do que ela permitiu e o taxista também apenas disse-me que meu dinheiro não era mais necessário e teceu comentários pertinentes quanto a generosidade e simpatia do povo japonês.

Naturalmente me senti bastante embaraçado, pois por estas bandas normalmente os estranhos são tratados com alguma indiferença, o que leva a crer em imparcialidade em todos os quesitos, me senti, creio mais envergonhado de possuir tal opinião acerca disto do que do fato de a bondosa mulher ter-me pago a viagem, inclusive dando mais dinheiro que o necessário para o chofer, que por sua vez também não demonstrou esforços para lhe devolver algum troco, aceitando a gorda nota sem pestanejar e deixando-me a dois passos de casa.

Nessa noite agradeci muito a Deus pela sua infinita bondade e desejei tudo o que eh de mais merecido aquela mulher que tão desapagadamente me salvou de um custo que sem duvida poderia afetar-me, uma vez que aqui o transporte eh um dos mais caros dos serviços básicos. Eis então a minha estoria que registro para que a bondade desta mulher não seja esquecida, pois eh comparável a generosidade presente nos contos dos irmãos Grimm, os quais compilaram grande parte das tradicionais historias da Alemanha em seu tempo e salvaram assim um patrimonio que ate hoje eh presente em cada historia para dormir de muitas das crianças do mundo.

Obrigado, gentil senhora, que a fé e a graça a acompanhem, pois tu as mereces com a mesma bondade e maior afeto do que me deste.

Neve em Kyoto

Hoje nevou aqui. Eu vi. Foi so por alguns momentos, mas eu vi. Depois se confundiu com chuva, mas um amigo confirmou, era neve. Floquinhos minusculinhos branquinhos caindo, contrastando com o asfalto e derretendo bem rapido. Isso foi tao chocante para mim quanto a primeira vez que a agua que sai do meu ar condicionado (no modo aquecer, eh logico) congelou... Abri a porta da varanda e la estava aquela poca de gelo, semi-transparente e arredondada como a agua tende a ser... Incredibelivablenitavel... Neve... Foi a minha primeira vez. E foi tao rapido...

20081204

Intelligent Guns, Stupid Bullets

I was waiting for my cell phone charge some songs for my field trip tomorrow and just remember that I want to write about this: technology. But not about the advance of tech, about how sometimes techs are stupid for the sake of someone very evil or very stupid.

My mobile is one classic example: it’s a good model of Au, one of the biggest phone companies in Japan, very convenient with a good camera, Micro SD port and music player. That’s the problem: the music player. Instead of a practical and simple solution like copy your music files to your Micro SD, put in your mobile and have fun… noooo. You have to install the problematic program of Au in order to listen your songs. And more, the audio format should be in WAV, WMA or another one that I don’t know, in order to be converted to the phone format. AND, the program runs only in Japanese operational systems, what takes me to my laboratory to put some fun in my little mobile. Well, Japan has a impressive number of resident foreigners and English is a so used language here, why they at least make something aiming this people? Sometimes Japan is very much like “Japan is for Japanese people”…

But not only here. Other victim (or victim maker) is the software. Yeah, any PC software, especially the most important ones like AutoCAD, ArcGIS, Corel Draw and others have a series of limitations that has been solved along the time. But it is not strange that such smart programs have no smart programmers that think in ways to make life easier and software that last longer and consume less memory? Finally after years and years the programmers are aiming to less memory consuming programs and more efficient. It’s evolution, baby.

Anyway, this remembered me an old Mad Magazine with the first Matrix parody, when Agent Smith and the other Matrix agents were trying to shot Neo and he just made the classic scene of escape of all bullets. In the parody the agents were complaining things like “It’s no use to have intelligent weapons and stupid bullets!” Same for tech in these days. Cheers!