20120423

Namoros e namoricos

Minha amiga me perguntou no meu último post se eu sou do tipo que se afasta dos amigos quando namora. Achei melhor desenvolver a resposta aqui.

Primeiro... Respondendo a pergunta dela. Sim e não. Já fiz isso antes e me arrependo. Não faço mais ou pelo menos tento não faze-lo. É uma situação muito complicada de se explicar mas se resume até que de forma fácil:

Depende do quanto você gosta da pessoa. E do quão nojentinha ela/ele é.

A verdade simples é a mais pura. Quem gosta mesmo de ti não barra tuas amizades e nem enche teu saco. Ou não tem maturidade ou não tem auto-confiança (moda hoje em dia) e por consequência não confia em ti - ou usando o velho maniqueísmo "não confio nos teus amigos"

Sempre tem a situação do descobrimento, dos primeiros meses quando tudo em que se pensa é em estar junto com aquela pessoa nova e especial (defeitos só serão percebidos quando acabar a garantia) e quando se participa de poucos ou minguados círculos sociais, uma pessoa nova com novas opiniões sempre é um F5 no cotidiano. Fica fácil se afastar um pouco dos amigos. Aí que está o truque, acho eu. Tudo com moderação.

Também depende dos teus amigos e do quanto eles podem interagir com a tua nova diginissima. Tive namoradas que se davam bem com todo mundo, outras mais ou menos e umas paranóicas peidadas da cabeça. Alguns amigos começaram a requerer atenção justamente quando eu comecei a namorar, etc.

Cada caso é um caso diferente. Mas veja bem, quando eu me ausentei, ninguém puxou minha mão.

Mea culpa. Minha grandíssissima estúpida filha-da-puta culpa.

Mas é parte de crescer, penso eu. Quanto mais eu envelheço mais eu curto gente com experiência, muito menos mimimi pra escutar, muito menos insegurança alheia pra resolver. Já nem me importa se a fulana é mais rodada que a BR-174, até melhor, menos frescura.

Ainda assim, é perigoso cair numa dessa, a gente tende a acariciar os defeitos alheios, ou pior - ser conivente com eles. Ninguém quer educar ninguém, ninguém quer chegar pra um brother e dizer:

"Bicho, que merda é essa que tu tá fazendo?"

Ou em uma maneira mais educada:

"Amigo, desculpa aí, mas as coisas não são assim..."

E sabe por que? Por que a maioria das pessoas não vai escutar mesmo. De conselho o inferno está cheio, eles dizem. Ou tem que ser alguém muito próximo pra te dar pitaco ou tem que ser um livro/site de auto-ajuda. E assim mesmo as cagadinhas do caminha de tornar-mos-nos-eis-vós-sois-ereis acontecem. E muito.

Não pense que com gringo é mais fácil. HA.

Ha ha.

Beijos no coração partido de vocês. Se casar sara, olha. Sara merrrrrrrmo.

Te adoro, old little girl. Morro de saudades.

20120420

tempo perdido

A grande diferença de olhar pela janela agora e durante o inverno é que no inverno se tem uma desculpa para não ir lá fora.

Perder tempo é uma grande piada sem graça. Gastar o que nem se sabe o quanto se tem não fazendo nada, abraçar o fantasma da desmotivação em vez de exorcisa-lo. Não sentir nem um pouco de arrependimento de ver o dia ir dormir enquanto tu não dormes e acordar quando ele já tem duas patas. Se sentir mal por estar muito além das datas de entrega de coisas importantes mas não mexer um dedo naquela direção.

Se tornar mais e mais anti-social.

Dizem que tem hora para tudo, considero saber se há um tempo para se perder tempo, se alguma coisa vem além disso. É bom mesmo eu me movimentar. Vou telefonar para alguém, espero que atendam...

20120408

Ornatos Violeta & Eu

Das muitas coisas misturadas de lembranças de Porto, além de ter ido a um concerto guiado por uma francesa de voz rouca no meio da noite (o show começou por volta de 01:30, totalmente comum em Portugal) eu trouxe uma revista de música Blitz falando de coisas que se tornariam meus acompanhantes nestes dias. Black Keys, que eu não conhecia e que o El Camino não para de tocar "Dead and Gone" aqui no meu ouvido e os Ornatos Violeta, uma banda surpreendente - e de Porto, uma cidade que ganhou um lugar muito muito especial no meu coração.

Ornatos só teve dois albuns e é sensacional. Particularmente prefiro Cão!  a O Monstro Precisa de Amigos mas os dois são incríveis, "Punk Moda Funk" é uma das melhores músicas que ouvi nos últimos tempos, tudo que eu gosto de funk em uma canção só.

Estou up a explorar mais coisas dali. Nunca imaginei que me apaixonaria por Porto.

20120405

Eu reclamo demais

Minha namorada me deixou no chão com um comentário:

"Oh my God, you complain SO MUCH recently, you know what? You look like this kinda old dick!"

Com toda a autoridade e liberdade que ela tem para fazer tal comentário e com o meu hábito de ouvir as pessoas a quem eu considero próximas, me perguntei se eu realmente não reclamo demais. Reclamo da vida, de péssimos filmes, de péssimos atores e de artistas pop em geral.

Reclamo do frio do inverno que nunca acaba mesmo quando é primavera já (Spring is here again meu ovo) e reclamo de mim mesmo não tomar certas atitudes. Acho que ela tem razão. Deve ser hora de rever vários valores e observações.

Quando se dá uma de espertinho e sabichão o tempo todo, pára de ser divertido. Fun is over. That joke is not funny and I ain't joking when I say that.

Engraçado que eu sabia disso antes mesmo de ela falar, estávamos vendo um filme terrível que mais tarde ela também admitiu ser péssimo não só pelas presenças de Sarah Jessica-Parker e Jon Bon Jovi per si mas pelo roteiro desengonçado. E quando eu fechei a boca depois de abrir pra fazer um novo comentário desnecessário eu mesmo já me dizia a frase que ela me disse. Ainda bem que ela não ficou com raiva mesmo. Um empurrãozinho pra orientar.

Eu já vinha pensando nisso na verdade, desde uma tarde que estava sentado na beira do Rio Douro sozinho, curtindo cada minutinho e refletindo profundamente sobre minha vida presente.

Eu sabia que deveria melhorar. Eu sei que devo.

Melhor começar de algum lugar. E já.

20120403

Desacelerar

- Cortar internet do celular
- Lembrar da torre em frente aos campos de março/marte iluminada e como valeu a pena sentar na grama e esperar anoitecer
- Nunca jamais demonstrar-se um macho alpha ou coisa do genêro. Foi uma péssima experiência ter que ouvir aquilo tudo, mesmo que não tenha sido intencional por parte deles
- Tolerar em nome do karma e das coisas boas. Não significa fazer esforço para comunicar
- Mandar um número específico de pessoas à merda. Limpeza social faz tão bem quanto a limpeza da casa
- Correr apreciando a vista. Pensar quando parado.
- Ler livros que chamem a atenção e dão prazer. Ignorar os comentários pedantes de gente que acha que sabe das coisas. Mesmo que elas tenham um diploma na área. Mesmo assim. Ha ha.
- Aliás, ignorar o grau de educação das pessoas fora de questões profissionais. Deixar os inovadores radicais, conhecedores profundos e imitadores baratos que tentam ser algo mais seus pobres selves pra lá. Incluí-los no número específico x de pessoas a mandar à merda.
- Se x é um número específico de pessoas a mandar a puta que os pariu, é inversamente proporcional a quantidade de tranquilidade e de paz de espírito dividido pelo saco que nunca estará cheio enquanto eu tomar essa medida.
- Fazer coisas antigas. Refazer coisas novas.
- Buscar qualidade. A mais filosófica das questões.

20111225

Reinício - 1a. Parte - 1985

Em 1985 a patente para o primeiro scanner laser foi preenchida nos Estados Unidos pelas indústrias Cyberware, avançando periodicamente através da utilização da tecnologia para produção de filmes e criação de mapas para fins militares. Foi somente uma questão de tempo para que a tecnologia avançasse para um nível profissional - e miscroscópico. Foram aonde nossos problemas começaram.

Muitos na verdade não consideram este o início dos problemas mas sim das soluções tão aguardadas por tantas pessoas ao redor do mundo. O conceito da patente não englobava a total idéia do escaneamento laser, baseado nos mesmos conceitos do radar do morcegoa, aonde ondas sonoras permitem localizar objetos e criar um "mapa" das redondezas. A diferença era que o scanner usaria um feixe de luz para criar o mapa. Adjunto ao microscópio, revelaram-se os fatos que mudariam o mundo anos depois.

Veja bem, o conceito de vida biológica não decorre somente da presença de carbono ou movimento voluntário em um ser, como já foram encontrados seres na própria Terra que não atendem necessariamente estes requerimentos. Inteligência e consciência são completamente diferentes nestes quesitos. Nunca se foi precisamente determinado se as plantas possuem consciência, mas determinado foi com certeza que ao seu modo os animais possuem inteligência em maior e menor grau a atendendo suas necessidades mais específicas. Assim foi conosco. Nossas emoções e desejos aliadas à nossa inteligência nos permitiram alcançar desenvolvimentos que nos trouxeram muito mais que o necessário para nossas necessidades. Alcançamos o estágio de desenvolvimento da arte.

Os eventos que decorreram da criação do scanner laser tridimensional microscópico são contadas da data do preenchimento da patente por que ninguém sabe com certeza quem obteve os primeiros resultados e quando, visto que tal informação hoje é de autoria solicitada por várias autoridades ao redor do mundo. Nem se atribui à Cyberware a criação do mesmo por que o conceito já existia nas estórias de ficção científica amplamente distribuída por diversas mídias.

As implicações que mais pesaram do dia da Descoberta em diante foram as de caratér religioso. De uma semana para outra pessoas abandonaram Igrejas, ateus e agnósticos celebraram suas convicções e novas religiões nasceram. Ainda que ainda não sejam claros os detalhes da Evolução e quem a infligiu primeiro, a perda de fé foi grande. Para outras pessoas na verdade foi um sinal da Divindade, a aliança entre ciência e religião, tão esperada, tão aliviadora para pessoas que sempre andaram na linha entre fé e tecnologia. Reconfortante. O mundo mudou e ainda assim continuou o mesmo.

Continua...

20111224

Nunca mais vou beber de novo/Índios;Regret

É natal no Japão, são 9 e 40 da manhã em Manaus e o natal só vai ser comemorado no finalzinho da noite, as lojas devem estar lotadas.


Eu lembrei que eu gostava dessa música, Índios da Legião Urbana, cujos integrantes e adoração pelo Renato Russo eu desprezo. Mas tem essa música... E 1965 (Duas Tribos), Riding Song e Tempo Perdido. Não dá pra negar que essas músicas são boas. Índios é um pouco difícil de tocar, resolvi tentar, só pra variar.

Nesse exato momento estou ouvindo Regret do New Order. Era esse meu sentimento hoje de manhã, ainda é um pouco e eu adoro essa música "I would like a place I could call my own, have a conversation on the telephone..."

Bebi muito ontem, fiquei destruído, não prestei pra nada o dia inteiro. Prometi de novo que nunca mais ia beber, a mesma mentira de sempre.

Eu fiz o que não devia também. Não importa muito agora, espero que não venha a importar no futuro. Mas as coisas acontecem e não se pode muda-las. Só ter arrependimento e tentar ajeitar. Tentei, não sei como vai ser.

Tive um insight divino também. Jogado entre o cobertor elétrico e as roupas com cheiro de cigarro e álcool ainda, percebi que nada ia se consertar por si só. Levantei, fiz o que pude.

Não adianta pedir e esperar. Tem que fazer.


20111220

Coisas

Coisas que vejo por aqui, dificeis de explicar mas interessantes de ver.
Ah sim, minha mae veio e ja foi. Foi otimo passear com ela, as vezes esqueco como e bonito este pais... Mas ainda assim, a gente ve cada coisas como:

Origamis


A coruja com cara de buceta


Cha

Caledonia, minha hamster
 A misteriosa porta anti-gordo (ou somente muito estreita mesmo)

Loja de calcas de mulher... sem palavras
 O Parque e a Estacao da Doida

Eu, perdido em algum lugar


 The Maxx, alguem lembra?

A estranha entidade com chapeu de campones, sake, pinto de cogumelo e saco de boi velho

As gambiarras que se faz pra poder armar uma rede aonde as paredes sao de papel...

E por ai vai, vou tentar voltar a escrever todo dia (de novo)...



20111115

Mamãe Visita, o Homem do Lixo & Minha Vida Iluminada Por Uma Lâmpada Falhando

Pois é, arrumei tudo e minha querida criadora está no avião para São Paulo neste exato momento. De lá uma conexão para Doha e depois em Osaka, aqui pertinho. Serão 3 semanas de uma viagem internacional que eu espero que seja inesquecível para ela. Imagino como deve ser, já que ela quase não fala inglês (o que daria pra se virar sozinha por aqui), mas fé em Deus, vai ser tranquilo! Teve algumas complicações pra conseguir o visto por causa da greve dos correios, mas o pessoal do consulado foi muito gentil e saiu tudo em ordem bem antes da viagem. A passagem comprei pela internet, procurei no Skycanner e achei a um preço bem razoável pra essa época do ano, perguntei se ela queria vir na primavera, com as Sakuras e tal, mas ela preferiu ver o outono pela primeira vez. Sei a sensação. O vôo vai ser um pouco cansativo, com um total de 35 horas, incluindo escalas e transferências. Expliquei direitinho como é essas viagens e acho que vai ser tudo ok.

E agora eu estava vendo o que eu preciso preparar para recebê-la, mas não vai ser muita coisa não, vou tentar gastar o menor tempo possível dentro de casa, é muita coisa pra mostrar. Veremos!

Ah, meu PC-stein está montado e funcionando, ficou legal e gastei muito menos que imaginava. Ficou tão bom que roda o emulador de Game Cube/Wii numa boa. Vou mandar as partes do antigo pra casa assim meu irmão pode montar um PC-stein pra ele.

Aqui vai muito PC pro lixo, mas só depois que eles já estão superusados e detonados, acho que eu já disse isso aqui, mas japonês não é tão capitalista como se imagina, as vezes eles deixam de usar uma coisa antiga, mas eles usam MUITO o que eles tem antes de jogar fora. O que acontce é que se caçar, encontra várias coisas em excelente estado de conservação. Tem um cara aqui na minha rua que coleta coisas usadas, na verdade eu nem posso afirmar isso por que não entendo bem o que ele faz. Ele tem cerca de quatro casas no total, duas de frente para outras duas e estas estão apinhadas de entulho... Armários de metal, tábuas, rodas de patins, bacias, peças de computador, cabos de todos os tipos, etc. Eu não sei se é reciclagem por que tem coisas ali que há mais de ano nunca se moveram e se fosse reciclagem os metais já teriam ido pro brejo. Acho que ele vende algumas dessas coisas, mas não sei, não tem lógica. Pode ser que ele seja daquelas pessoas que são doentes e acumulam tudo, fazem pilhas infinitas de porcarias e coisas desnecessárias. Confesso que depois de vir morar aqui comecei a me livrar de certas coisas com medo de ficar daquele jeito. Ele não faz mal a ninguém, só atrapalha um pouco a passagem mas não é nada de se fazer uma queixa...

Acho que meu namoro está indo pro brejo também... Esse negócio de relações internacionais é muito complicado, é legal, mas muito complicado... O pior é que nem estou muito triste não, aliás pouco faço pra alguma coisa mudar. Acho que me deixei desgastar. Acontece... Uma hora eu encontro com alguém que se acerte comigo, afinadinho. Ruim é que nessa época de namoros ruindo (e depois também) a fé na humanidade fica tão baixa que o simples paradigma de uma nova relação enche o saco. Se acabar mesmo acho que vai ser hora do bloco do eu sozinho (sem referência à banda que fez esse disco, detesto tanto eles que nem vou dizer o nome. E hoje tive a infelicidade de saber que ano que vem eles vão se reunir... bleh).

Hoje eu dormi 14 horas e não saí de casa pra nada. Deve ser um alerta, daqui a 4 horas serão 8 horas e o Japão começa a rotina na maioria dos lugares, eu devo me encaixar nessa um pouco, pode ser uma boa por um dia, afinal na quinta-feira eu me torno anfitrião da mulher que me deu a vida (tinha a opção de não fazê-lo e fê-lo assim mesmo)... Acho que vai ficar tudo bem.

Caledônia manda abraços de hamster para todos. Ah e hamsters não fazem cocô por onde passam, tem o detalhe nojentinho de que eles comem as próprias fezes para digerir melhor nutrientes, então eles sempre fazem as obras perto de casa.

Acho que agora ninguém quer o tal abraço...

20111109

Monster PC e Caledônia

O carinha do Takyubin (entregas expressas) bateu aqui na porta e perguntou se eu era eu, mandou eu esperar um pouco. Assinei a papelada e quando eu vi o pobre rapaz quase se defecando pra carregar um caixa enorme. Ajudei ele que ficou aliviado de eu estar em casa e ele não precisar levar a jamanta de volta pro caminhão. O que veio dentro?
Pois é, botei um porta-canetas do lado pra ter uma idéia do tamanho. E é super pesado também!

Então, aqui no Japão o Yahoo! ainda é um site bastante visitado e tem o Yahoo! Auctions é uma das melhores coisas de lá. Dá pra comprar várias coisas a um preço legal se tiver paciência, já economizei uma grana com várias coisas de lá. Lembra o Arremate aí do Brasil, nem sei se ainda existe...

Então, querendo turbinar meu PC, fui atrás de um processador novo, só que era mais barato comprar um PC velho que tivesse o dito cujo, tinha pc de todo jeito, sem pé, sem cabeça... Depois de tentar dar um lance muquirana em vários deixei uma oferta mínima nessa criança aí e levei. Só que na foto parecia bem menor (normalmente é o oposto aqui no Japão, as coisas nas fotos são bem maiores que a realidade, inclusive pessoas, comidas e promessas de sexo). Enfim o trambolho chegou aqui e não sabia o que fazer. Já peguei o que queria, mas veio com vários bonus (fonte fodona, memórias extras, coolers com neon) Pelo tamanho e acessórias isso aí era um servidor de alguma empresa, o troço tem espaço pra 16 HDs. Resolvi montar um Frankstein e encomendei umas peças aí... Vamos ver o que vai dar.

Ah, eu queria apresentar a Caledônia, minha hamster:



Antes dela eu tinha o Johnny:


Johnny passou várias noites cavando um buraquinho na parede onde eu menos desconfiava e fugiu... Como naquele filme Shawshank Redemption (Um Sonho de Liberdade). Sério. FDP se mandou. Culpa minha por deixa-lo livre da gaiola de noite, pra correr fora da rodinha.

A Caledônia é mais calma, menor (ela é um Siberiana Azul Safira, o Johnny era Dourado) às vezes deixo ela correr um pouco pelo apartamento mas ela mesma vai em direção a gaiola e volta.

No Japão é comum não ser permitido animais de qualquer tipo nos apartamentos. Peixes ou pássaros são aceitos. O dono do prédio não sabe nada, então tô seguro hehehe. Hamsters são animais noturnos, então durante o dia eu cubro a gaiola caso o dono venha aqui não vai saber de nada e nem ouvir barulhos.

Faz diferença ter um bichinho. É alguém pra cuidar e dizer boa noite. Quando se mora sozinho é importante. Terapêutico. Tenho saudade das minhas cadelas no Brasil. Sempre fui apegado, acho que é ausência paterna talvez...

Ganhei uma camisa do programa do Allan Sieber, pedi pra mandarem pra Manaus, já que pra cá com certeza não rolava. Foi legal ganhar alguma coisa assim, inesperada. hehe

20111105

Sono Pula-pula

São sete da manhã de uma manhã de outono em Kyoto, desde ontem uma névoa cobre a cidade que me lembra as famosas frieiras de Manaus, quando aconteciam. Às vezes tinha névoa quando eu estava indo para escola a pé, pertinho de casa. Lembro que uma vez até choveu um granizo fininho, coisa rara na Linha do Equador.

Aqui, não. Quatro estações, bem definidas, bem diferentes. Primavera cheia de Sakuras, volta às aulas, jaquetas leves, descobertas, flores. Verão (em Kyoto) como o dia-a-dia de Manaus, trinta graus gritantes e 80% de humidade, Praia de Shirahama, japoneses amarelo-escuros de sol e garotas de biquíni que me fazem broxar de tão cafonas que são. Outono, agora. Mudança das folhas, dias ainda quentes ou de repente super frios. Frutas novas no mercado, tomates ficam tão caros e os mosquitos desaparecem.

Eu odeio o inverno.

É frio DEMAIS. Quase não neva aqui, quando neva é lindo, mas quase não neva. Ano passado nevou 20 centímetros no último dia do ano e eu me senti criança, um Charlie Brown brincando com um Snoopy invisível. Eu estava sozinho na cidade mas nunca me senti tão acompanhado. Fiz anjos de neve, caí da bicicleta, bebi vodka com um punhado de neve misturado e considerei seriamente em amarrar raquetes de tênis no sapato pra ver se funcionava como um sapato de neve. Foi um dia legal, uma despedida cordial de 2010, um ano em que tomei decisões difíceis.

Mas nem sempre é assim, as árvores secam e ficam peladas, é preciso andar com um monte de roupas que me sufocam e minha conta de gás vai pra casa dos 5 dígitos. Bicicleta se torna tortura e ninguém quer sair de casa.

O problema de hoje é o meu sono que não vem e não vai. O pior de tudo é ficar no meio, meio cansado, meio inquieto. Sem dormir e não querendo deitar.

Eu sempre tive problemas pra dormir, desde pequeno, minha mãe só faltava enlouquecer com a minha falta de sono e inquietação. Não importava quão cedo eu acordasse, sempre ia dormir tarde.

Às vezes eu durmo coisa de 6, 7 horas por dia, durante uma semana, outras eu durmo entre 8 e 12 horas, totalmente fora de qualquer agenda. Se eu tenho algo sério pra fazer, acordo de algum jeito, nem durmo, até, com medo de perder o tal evento. Se não... a mãozinha preguiçosa desliga o despertador e a força de vontade dorme mais do que eu quando eu olho pra ela. O problema do Doutorado é que nínguem te puxa pra fazer nada (em muitos casos) então como a sua responsabilidade é só sua, fica fácil procrastinar ou simplesmente trabalhar de acordo com o seu humor.

Não terminei minha apresentação ainda, fiquei doente ontem a noite e não escrevi. Mas voltei aqui hoje por que lembrei que tinha de fazê-lo.

Ouvi uma banda genial hoje, The Soft Boys. A canção é Kingdom of Love e o vídeo é tudo de bom.

20111104

Um post por dia

Será que eu consigo sem ser vazio?

Não leio muitos blogs, não curto muito "internetar" dessa maneira, mas eu realmente gosto de algumas coisas. O Alan Sieber é um dos meus favoritos, desde muito tempo atrás. Agora ele está bem em alta com tanta coisa, programa de TV, etc. O David Thorne também é legal, mas ele publica quando quer. Outras coisas que eu vejo são blogs de amigos, sites das bandas que eu gosto, etc. Vlog, nem me passa. Acho que o do Felipe Neto sobre o Crepúsculo só.

Não sei bem como usar meu tempo com internet. meu PC está sempre ligado, mais por conta de downloads que de outras coisas. Na verdade estou atolado de coisas pra fazer, de coisas que eu quero fazer e de coisas que eu gostaria muito de fazer mas não sei por que não faço. Estava aprendendo russo com o Rosetta Stone mas parei prometendo pra mim mesmo que ia voltar, talvez o faça quando terminar aqui. Estava jogando Mass Effect, Bastion, Zelda Twilight Princess e Kirby Mass Attack e não terminei nenhum. Fiz uma letra e não terminei. Mas pelo menos comecei minha aprensentação de segunda-feira. E preciso terminar meu artigo, urgente. Não sei por que meu Sensei não me esculacha...

A vida aqui no Japão é tão comum quanto qualquer outra aí no Brasil depois de um tempo. Lógico que aparecem coisas novas de vez em quando mas não é sempre. E depois de 3 anos e meio (um a mais que o programado) as vida flui como fluiria em qualquer outro lugar.

Lembro uma vez que o João Francisco, um amigo meu, disse que se a gente é bom mesmo é bom em qualquer lugar, em Manaus, no Japão, na China... Verdade, a gente consegue fazer sim o que quer e o que gosta independente das condições. Talvez nem sempre exatamente como a gente quer mas um pouquinho de certeza. O João é um cara legal, ele escreve e lê um montão. Aparentemente ele não tem dúvida nenhuma sobre ter estudado letras. Eu gosto disso nele. Eu também fiz a escolha certa. Outro dia me perguntaram se eu não gostaria de ser médico ou advogado ou qualquer coisa que implique usar um jaleco ou um terno. Eu vi aquele filminho na minha cabeça? "Como Seria Se...?" e respondi de pronto: não. Tem muitas coisas que eu gosto de estudar e aprender sobre, mas profissionalmente minha área de trabalho me deixa bem contente.

E eu gosto tanto de música, não sou um músico brilhante mas tenho tanto prazer ouvindo, tocando, tentando que não posso passar sem. E informação. Aprender coisas novas, ler, adquirir, saber. As vezes eu pego alguma coisa comumente citada, sei lá, Tesla por exemplo e vou ver o que é. Faz tanto sentido saciar a curiosidade! Falando nisso, tenho que ver algo agora, senão esqueço. Amanhã eu volto, vou fazer o melhor pra isso!

20110822

Cut your hair

Uma das melhores músicas do Pavement.

Cortei o cabelo depois de dez anos com cachos caindo sobre as orelhas, ombros, crescendo e diminuindo sem jamais ser realmente curto. Dessa vez está curtinho.

Confesso um alívio tremendo. Confesso que um peso saiu das minhas costas.

Estava irritado com o cabelo, aparência, coisas que não mudam e problemas da vida. Resolvi eu mesmo mudar, começando de fora, já que por dentro é sempre mais difícil. E me sinto ótimo!

Nunca fiz do cabelo uma questão de atitude, só gostava de tê-lo comprido, adorava as meninas fazendo tranças ou simplesmente querendo mexer nos cachos que horas atrás eu ostentava. Agora não mais, mas me sinto leve, light, com cara de novo começo. Todo mundo gosta de novos começos, exceto quando eles vem depois de péssimos términos.

Mas eu terminei bem com meu cabelão, deixando uma saudade saudável e uma atmosfera de dez anos juntos mais serena. Eu rio a toa quando tento ajeitar o meu agora inexistente rabo-de-cavalo.

Estranho como uma coisa simples assim faz o mundo parecer mais legal.

E eu pareço mais novo também haha.

20110820

Cápsula do Tempo

2000

Eu tinha 17, tinha começado a estudar na Ulbra por que não tinha passado na UFAM (então UA). As pessoas lá eram legais comigo, a maioria gente com mais de 30 que estava batalhando um diploma para melhorar de vida. Eles riam da minha inocência mas sempre me encorajavam. Eu não sabia que no ano seguinte estaria na UFAM, que um daqueles caras iria morrer de derrame, que eu não iria ver quase ninguém de lá por muito muito tempo. E que um dos meus colegas de classe seria namorado da minha mãe cinco ou seis anos depois. Foi bom por que as pessoas me tratavam bem em geral, eu me sentia aceito no mundo adulto.

Era a melhor parte do meu dia durante 6 meses em que trabalhei na Semp-Toshiba como estagiário, arranjado por uma amiga de minha mãe. Ali eu tinha que organizar infinitos documentos e aturar as picuinhas do Distrito Industrial de Manaus. Aprendi algumas coisas ali mas na maior parte do tempo detestava tudo e todos. Aprendi a enrolar no arquivo, já que quando eu cumpria com meus deveres em tempo ninguém gostava. Pisei lá novamente somente uma vez. Não sabia que o pessoal de lá me ligaria no dia em que o resultado da UFAM saiu no rádio, anunciando a noticia que daria rumo a minha vida. Muitos anos depois soube que as coisas ficaram ainda mais complicadas por lá e apesar de tudo fiz alguns amigos que encontrei depois de algum tempo.

Namorava a Adriana, minha primeira namorada. Um amor de menina, estudante da ETFAM. Nos conhecemos em um mini-curso sobre meio ambiente no Parque do Mindú. Eu iria visitá-la na ETFAM com freqüência. Nunca iria na casa dela e receberia um telefonema zangado da mãe dela por causa de algumas marcas de beijo. Terminaria com ela 7 ou 8 meses depois, principalmente por causa da minha falta de entendimento de muitas coisas sobre relacionamentos. Somos amigos até hoje apesar de não nos falarmos com freqüência. Ela deve ter um diploma de psicologia nestas alturas, naquela época ela estudava meio-ambiente. Tive um tempo ótimo com ela, primeira namorada que deixa saudades.

Baixava músicas pelo Napster na Ulbra ou em casa, quando o IG começou. Era tão difícil completar um arquivo e muitas vezes tinha que zipar em três disquetes para levar para casa. Gravava as minguadas músicas em fita k7, adaptando o rádio ao computador. Emprestava cd's e ouvia tudo o que podia no meu walkman comprado com o pouco dinheiro do estágio. No ano seguinte o Audio Galaxy me faria mais feliz e eu conheceria mais gente que podia me ensinar sobre música. Tinha um violão que seria roubado 4 anos depois. Já era louco por quadrinhos, adorava Conan.

Tinha parado de ir na Praça do Congresso às sextas-feiras por causa da Ulbra mas ainda encontrava meus amigos do rock com freqüência. Minha mãe enlouquecia quando eu chegava "tarde" (depois das 23 horas). Dez anos depois eu entenderia os sentimentos dela de uma maneira inesperada (nada a ver com um filho ou algo do tipo). A partir do ano seguinte tive a tão esperada liberdade dos 18. Minha mãe não larga do meu pé até hoje, mesmo eu estando do outro lado do mundo.

Se eu tivesse feito uma cápsula do tempo naqueles dias... Ei riria e amaria aquele rapazinho magrelo e espantado com tudo, que espremia seu tempo entre trabalho, estudo, namorada, dois irmãos e uma mãe e um casal de cachorros que morreriam 5 anos mais tarde em um dia qualquer. Enterrei-os no quintal de casa, que agora é cimentado.

Eu me vejo há 11 anos atrás e eu sorrio, os primeiros passos são sempre emocionantes e deixam uma saudade gostosa daquela falta de noção de tudo e de todos. E agora eu divido com vocês.

20110805

Inglês

Por que inglês?

Muito simples. É o latim dos nossos tempos, o russo dos ex-soviéticos. É a língua que com o mínimo de conhecimento, alguém em algum lugar vai saber responder a uma solicitação. E ainda melhor para quem não tem planos de viajar por todo o mundo, é a língua que a internet fala.

Podem-se descobrir tesouros aprendendo outras línguas, principalmente na web onde cada país tem seu microcosmo virtual, mas quem domina?

Japonês? Na moda, mas nunca vai colar pra todo mundo. A quantidade de gente que eu conheço aqui que mora há muitos anos e não sabe absolutamente NADA de japonês é impressionante. Nem os próprios já não nutrem amor infinito pela sua língua materna. O Japão é o autista dos países desenvolvidos. Bem maior o cacete, enquanto as coisas estiverem bem por aqui, eles estão se lixando, absorvendo só o que interessa do mundo exterior. Japão para japoneses.

Olha a preocupação japonesa com a situação mundial...

Chinês? Rá! Quem acha que a China vai ser o próximo USA por causa de lances econômicos e crescimento está enganado. Recentemente a revista Time mostrou os erros e acertos comparando justamente Brasil e... China. E basicamente aonde um erra outro acerta. Mais uma: Quem em sã consciência vai seguir um povo que exporta primariamente gente? Gente essa que prefere recriar miniaturas das coisas boas e bonitas (as Chinatowns) da China em um país estrangeiro a permanecer lá? E a segunda maior exportação são produtos de péssima qualidade, ripados de outros países, produzidos em regime semi-escravo que inclusive está sendo passado para outros países com desenvolvimento inferior como Laos, Cambodia e Malásia por que até o pessoal lá já não está satisfeito com a situação?

É mais fácil receber esse tipo de Chun-li pelo correio, se encomendares da China

Russo? Provavelmente não. 20 anos depois do colapso da União Soviética, muitos países ainda mantém a língua e na verdade você pode passar por muitos lugares com russo. Tipo Cazaquistão, Usbequistão, Ucrânia, Belarus e tudo mais. Lógico que isso se você conseguir visto para entrar nesses lugares místicos e ficar por lá. Nada contra, conheço gente desses países e sei que tem umas coisas legais lá. Pra uma visita. E só.

Da, tovarisch! Falar russo pode trazer sérias vantagens. Não é a toa que os Beatles escreveram "Back to USSR"

Espanhol é uma mão na roda pra quem fala português, quem tem um mínimo de cérebro entende um texto com facilidade e arranha um portunhol. Mas assim como a minha querida Língua Portuguesa, da qual tenho tanto orgulho de falar e conhecer o microverso dao redor da mesma - e bem como russo, que estou me aventurando aos poucos - é uma língua complexa, cheia de nuances, sotaques e elementos culturais que empacam o aprendizado dinâmico visando a comunicação eficiente. Chinês então, que tem quatro ou mais entonações para cada vogal? Aonde está a praticidade destas línguas?

Novamente, entra o inglês como uma língua que cada dia mais se torna cosmopolita e despatriotizada. Você aprende inglês para ler artigos científicos, navegar na net, ajudar um turista ou entender uma música. Quantas pessoas realmente aprendem inglês para ir morar na Inglaterra ou nos EUA? É aqui que não se deve confundir as qualidades da língua inglesa com a adoração por norte-americanos ou britânicos. Se tornou algo muito maior que estas duas nações, independente das mesmas e com identidade própria aonde é usada (vide inglês indiano, engrish, spanglês, aranglish e outros tantos).

Queria saber quem pagou por DUAS bandeiras americanas sabendo que iam ser queimadas

Inglês é bom por que é fácil de aprender, está em toda parte e vai ter sempre alguém que sabe ao menos responder yes ou no. Não é por que é coisa de americano. E no fim das contas, meus caros accent geeks, americanos, ingleses, neo-zelandeses ou australianos não dão a mínima se você pode pronunciar "foreigner" ou "dirty" ou "thirty four grand" corretamente. A coisa que eles menos se preocupam é em corrigir você - a menos que você seja tão ruim que eles não possam entender.

Muitos deles estão aprendendo espanhol agora... vai entender...

20110528

Eletrônica

Meu avô me ensinou a soldar. Ele é bem definido pelo termo handyman ou melhor em português moderno e não traduzindo a expressão anterior, multifuncional. Tudo ele sabe consertar, encanamento, fiação, etc. Essas coisas de casa que não requerem conhecimento super profundo, que na pior das hipóteses uma gambiarra temporária resolve. Ele fez um curso de eletrônica nos anos 70 e montou um rádio em uma caixa de madeira, o único desvirtuamento do honorável é que design não é forte dele, se fosse engenheiro seria bem à moda antiga: funcionalidade antes da beleza.

Mas como eu dizia ele me ensinou, pedia para eu segurar dois fios enquanto ele soldava, na verdade eu não entendia bem e achava aquilo meio chato, mas adorava mexer nas ferramentas dele enquanto ele explicava como as coisas funcionavam. Um simples teste de corrente foi montado com dois fios correndo por dentro de duas canetas bic, soldados nas pontas destas e com as outras extremidades em uma antiga lâmpada azul, tipo aquelas de arraial. Era legal ver duas canetas que podiam acender uma lâmpadazinha diferente e ouvir a satisfação dele ao dizer: está funcionando.

Eu lembro que ele tinha um balcão de ferramentas no quintal da casa, que anos depois veio abaixo por se tornar um viveiro de baratas e aranhas. Para mim era o máximo aquilo, uma mistura de porão de filmes com casa mal-assombrada. Apesar de muitas vezes não querer ajudá-lo (fazia-o obrigado) peguei gosto pela coisa da multifuncionalidade. Esqueci de dizer que ele era professor de matemática do ensino fundamental que na época em que ele se aposentou ainda era chamado de primeiro grau. Hoje ele curte uma aposentadoria não muito excitante, com problemas da enorme família de 11 filhos e muitos netos pra se preocupar e seus estudos da Bíblia (católico old school).

Enfim, Vovô me passou um gosto danado por desparafusar, soldar, colar, pregar, desmantelar, colocar tudo de volta, ver a luzinha acender e dizer: está funcionando. E sempre me envolvi com a coisa. Desmontava meus carrinhos de autorama pra entender o motorzinho, abria os video-games e cartuchos que travavam , via aquela placa, não entendia nada mas tirava a poeira e fechava de novo. Mais tarde, quando a música me deu uma epifania absurda que até hoje pulsa como um segundo coração, me virava e revirava para fazer cabos que me permitiam gravar músicas dos programas gravados em video-cassete para fitas K-7, ou até mesmo trilhas sonoras de jogos.

Lembra?

Alguns anos depois montei meu primeiro pedal de guitarra, seguindo instruções da internet que me levaram a estudar capacitores, diodos e cia. só para entender e saber exatamente o que comprar. Já podia montar e desmontar computadores sem medo.
O famoso Vaquinha Delay


Hoje eu troco o display de toque do meu iphone em meia hora, coloco uma nova firmware no xbox e até modifico o sistema com algumas soldas e dois diodos. Compro consoles usados, conserto-os e os revendo a amigos. Raramente preciso jogar equipamento fora.

E acho isso o maior barato, sou um amador, até algum tempo atrás não sabia explicar a diferença entre corrente e voltagem, ainda apanho quando as soldas são muito pequenas e vez ou outra danifico alguma coisa permanentemente. Mas exploro e me divirto com isso. O desafio faz as mão tremerem e a falta de certas ferramentas é compensada com clips, facas, malabarismos e uma mão amiga quando possível.

Acho que se valoriza mais as coisas quando se tem esforço para mantê-las funcionando, não por uma questão financeira, mas pelo simples fato de não deixar algo consertável em um estado inutilizável.

Meu amigo e irmão Lincoln também anda nessas trilhas, sabe até mais do que eu. Outras pessoas ao meu redor têm o mesmo gosto pelo xeretamento. É algo legal de se fazer e compartilhar.

E tu? Que fazes tu?

Só sei que devez fazer bem :)

20110504

3 anos e 2 meses

Faz tempo. Parei de escrever aqui, me cansei, achei chato, achei que o conteúdo estava ruim e resolvi mudar, depois de todo esse tempo. Não são 3 anos e 2 meses que eu não escrevo e sim o tempo em que estou no Japão.

Muita coisa aconteceu nesse tempo, incluindo uma visita ao Brasil que me trouxe mais problemas que alívios. Terminei o mestrado e passei pro PhD. Há uma ano e meio atrás eu jurava que não estaria aqui, no entanto...

É realmente difícil definir certos planos para o futuro. Antes parecia mais fácil, quando eu estava na graduação, as coisas seguiam uma lógica que acontecia conforme o esperado na maioria das vezes e nos assuntos que diziam respeito às minhas responsabilidades. Tudo baseado no conhecimento de nossa cultura, estilo de vida e comportamentos sociais.

Aqui isso tudo foi por água abaixo. Outras pessoas que quanto mais você se aproxima se torna mais difícil lidar com as diferenças. Percebe-se ser mais cabeça-dura e rabugento do que se imagina e de não querer abrir mão de coisas aparentemente sem significado.

Acho que sôo bastante pessimista mas infelizmente não estou na minha melhor fase. Minha viagem ao Brasil na verdade me confundiu mais do que definiu. É minha casa, sem dúvida. Talvez eu precisasse de mais tempo sozinho, pra andar ao redor e o que é o quê. Matei saudades de muitas coisas que eu realmente amava, coisas pequenas mas importantes e lógico minha família.

Mas foi chocante vê-los também. Tive que me reacostumar com a presença de todos e suas aparências singela mas significativamente mudadas, É assustador passar tanto tempo fora e voltar de repente. Não recomendado.

De qualquer maneira, quero voltar nesse espaço e narrar desaventuras e coisas interessantes daqui e da minha vida em geral, pra quem quiser ler, pros meus amigos.

Mudanças aqui, aqui (na minha vida) e aí. Um brinde ao que ninguém pode prever.

Alex

20091117

Arubaito

É a palavra japonesa pra "trabalho temporário". Pois é, comecei um. Um amigo meu estava trabalhando nesse bar, que ele achou através de um anúncio de oferta de baito, foi lá e me falou que era ótimo e que estavam precisando de alguém pros finais de semana. Como normalmente eu GASTO dinheiro no fim-de-semana resolvi ganhar algum... e tem sido legal!

Primeiro os interesses financeiros, esse trabalho paga como poucos, 1000 iens por hora, quando a média de um clube bem movimentado é 800. Trabalho 5 horas por noite todo sábado e domingo, ou seja, de 40 a 45 mil ienes por mês (comecei neste mês de novembro) que dá uns 750 reais mais ou menos. Nada mal.

Segundo, o barzinho é meio chique, pra quem tem grana. Só o "charge", a graninha só pra sentar é 800 iens. Dois barmen profissionais trabalham lá, um inclusive ganhou um concurso recentemente. Essa é outra coisa boa, eu não sirvo bebidas. O que eu tenho que fazer?

1 - Lavar a louça. E enxugar. Parece simples, mas como os caras são profissionais, tem todo um jeitinho de fazer tudo e eles estão sempre observado se eu estou fazendo como eles dizem.
2 - mais importante - conversar com os clientes. O dono do bar usa o "fator gaijin" ou seja, o cliente fica curioso com um gaijin trabalhando ali, puxa conversa, coisa vai coisa vem, o cliente bebe mais, as vezes paga uma rodada e assim o dinheiro vai rolando.

Lógico, tenho que andar apresentável, cabelo preso e penteado, sapato social e o uniforme preto do bar, mas não dói e nem me incomoda. O que me tem sido mais interessante não é o dinheiro em si, mas as pessoas que eu tenho encontrado.

Por que? Bom, aqui no Japão, mais que no Brasil, é muito fácil perder a fé na humanidade e querer mais é que o bicho-homem se exploda. Nesse barzinho perdido nos cantos de Kyoto, eu já conheci gente extremamente interessante. De verdade! Lógico que na maioria das vezes vai alguém que se interessa um pouco, conversa e acaba ali. Mas eu conheci uma moça que saca tudo de filmes, animes, música. Conversamos sobre filmes tipo Os Intocáveis, Trainspotting, etc. AONDE que neste país eu encontro gente assim com facilidade? Na faculdade estão as mentes mais fechadas que eu já conheci. Pelo jeito tenho que sair mais.

E o que é mais legal: mesmo com meu japonês fuleiro, as pessoas querem se comunicar, querem falar comigo. Me sinto bem.

Mas outro dia... Ah. Eu vi um anjo. Eu vi a mão de Deus e abaixei a cabeça em arrependimento. Jesus, que garota linda. Ela veio com os pais que são amigos do dono do bar, ela me deu um sorriso que me fez passar dois dias mal. Foi tão simpática que passei dois dias triste de saber que existe tanta beleza no mundo. Uma tristeza boa. Infelizmente minhas obrigações profissionais e a presença dos pais dela me impediram de qualquer ato, mas o que eu tive dela foi o suficiente.

Nos outros dias normalmente vem uns clientes costumeiros, tem um senhor lá que só bebe chá mas paga rodada pros trabalhadores direto. Outro dia voltei bêbado de tanto saquê, parei no boteco brasileiro e lá o cara me dá uma taça de vinho. Fui embora antes que não pudesse andar de bicicleta.

No fim, tem sido divertido, às vezes os barmen são muuuuito sacais, educados demais, mas é o clima do bar e o jeito japonês de ser... Nem esquento mais.

Oh, e o Superchunk vem aí!!!! Já estou com meus ingresso aqui na mão! Vou lá cantar com eles

I heard this song
On the radio once
I stole a bar
I stole a drink
I used the last straw from my ink
Sometimes I fear, I neglect to think

Cool, do disco Tossing Seeds

20091031

Coisas Legais

Brendan Benson - Alternative to Love. Muito bom, muito bom.


"Because hard luck is all that I had
And I felt stuck in the mud
I was a sad and sorry case
But I turned about face
And I feel great
I'm gonna run and I won't brake
For nothing, no one, just wait
Til I feel like myself again"








Peter Bjorn and John - Writer's Block

"If i told you things i did before
told you how i used to be
would you go along with someone like me?
if you knew my story word for word
had all of my history
would you go along with someone like me?"









The Pidgeon Detectives - Wait for Me

"I’ll never take it back
I’ll never take it back
I didn’t mean to make you cry
I’m not sorry
No, I’m not sorry
No, I’m not sorry
No, I’m not sorry "





The Cribs - Men's Needs, Women's Needs, Whatever
"Leave me alone, I'm just your enemy
I've seen it all, I've seen your jealousy"











E no fim, algo bizarro que anda rolando em alguns sites. Depois do Sub-Zero brasileiro, Leona a Assassina Vingativa e tantas outras, o Highlander brasileiro:

Copiado do http://www.naosalvo.com.br/vc/jacque-o-hi/


Beetlebum

Beetlebum
What you've done
She's a gun
Now what you've done
Beetlebum
Get nothing done
You beetlebum just get numb
Now what you've done
Beetlebum


And when she lets me slip away
She turns me on all my violence is gone
Nothing is wrong
I just slip away and I am gone
Nothing is wrong
She turns me on
I just slip away and I am gone

Beetlebum
Because you're young
She's a gun
Now what you've done
Beetlebum
She'll suck your thumb
She'll make you come
Coz, she's your gun
Now what you've done
Beetlebum

And when she lets me slip away
She turns me on all my violence is gone
Nothing is wrong
She turns me on
I just slip away and I'm gone


Para Asami-chan, se um dia ela resolver ler este blog. O fim terminou, enfim.
For Asami-chan, when you finally try to see this blog, the break is over, the end is over also.
これは麻美ちゃんのために。 本当によかった。 かわいそう終わりました。