20090622

Música do Brasil ou do Mundo?

A luz reflete no cinza metálico e o faz parecer um pouco avermelhado. Brian Wilson atenua o tom e o tempo em Good Vibrations, os outros músicos se juntam a ele formando um bonito coral.

Assisti The Blue Brothers novamente. Dessa vez sem aquela dublagem dos anos 80 que eu adoro, mas com tudo original. Fiquei pensando. Tem uma hora que aparece uns caras tocando blues na rua e tal, e isso rola mesmo por que naquele filme do U2 eles também encontram um vovô cantando "Freedom for my people"... Isso é a cultura de rua americana, o som típico deles, em míudos, o samba deles. Algo que nasceu no meio do povo. Aí fiquei imaginando se no Brasil o filme seria Os Irmãos do Samba ou algo assim e o John Belushi vestido de terninho branco com camisa listrada por dentro e aquele chapeuzinho, também branco, de samba. O típico malandro. E aí eles cantariam Cartola, Fundo de Quintal e outras coisas que são consideradas samba "de verdade". Não MPB, MPB é pedantezona, se faz de malandro mas é universitário, foi todo mundo subversivo e faziam letras de protesto rá rá rá. Brincadeira, mas MPB, ao meu ver, embora se relacione muito com samba, não é a mesma coisa e nem fala das mesmas coisas com a mesma simplicidade. Música Pedante Brasileira, coisa de gente cult rá rá.

Lógico que eu não tenho autoridade nenhuma pra falar dessas coisas. Mas o blog é meu e eu falo o que eu quiser. Rá! Furei o olho, tô nem aí. Mas voltando, sou o menos indicado pra falar dessas coisas, mas faço uso da boa lógica da Sr. Spock. A grama de vizinho é mais verde, tem mais CDs e mais qualidade musical. Será? Samba é super difícil de tocar, eu nunca aprendi as dissonantes no violão. Chorinho então nem... As letras, tem muitas bonitas, bonitas mesmo. O que falta pra se gostar de música brasileira? Tipo, ser um negócio que tá por aí e pode crer (uó esse comentário hehehe). Mas sério, por que não me atraiu? Por que eu me identifico mais com o sentimentalismo exagerado e os devaneios culturais do Reino Unido e dos Estados Unidos? Aonde foi que eu errei?

Bom, falta de patriotismo não é. E eu escuto algumas coisas. Tipo, 5% dos meus 60 GB de mp3 são de música brasileira, sem contar o Raimundos que eu adoro e o "rock nacional" e seus representantes. Raul Seixas é o que mesmo? E Mutantes? Nem sei a classificação. Mutantes deve ser Música de Puxar Baseado - MPB, mas é legal pra caramba. Rita Lee, não. Muito trash. Jovem Guarda, quero distância. Só copiavam músicas dos Beatles e Beach Boys e trocavam as letras - coisa que aliás o Humberto Gessinger também fez pra pegar uma meinha no começo do Engenheiros.

Leds laranjas e verdes piscam perto do monitor. Queria um led azul moderno e bonitinho. Ele consome 3 volts em vez de 1,5. Aprendi isso por causa dos pedais que me meti a fazer.

As vezes penso na cultura americana como o Império Romano. Se espalhou bicho. Quando a gente nasceu a merda já tava feita. Tava todo mundo falando Latim, da península Ibérica à Xangai. Porra, vamo boicotar esse Julio César e tal, tenho um brother chamado Brutus que disse que dá jeito dele pianinho pianinho. Mas não adiantou nada. Todo mundo continou falando Latim. Aí Latim virou francês, português, espanhol, italiano... E português-br, como tá nas configurações do windows. É besteira gostar das coisas americanas? Bom, mesmo que apareça um Brutus pra dar jeito na única indústria de cinema que tem grana pra coisas astronômicas como Senhor dos Anéis e nas cacetadas de bandas que você ouve e nem sabe (como no caso da Jovem Copia-Cola-e-Traduz Guarda). Tem jeito não. Nirvana é legal. Ramones é legal. Rocket From The Crypt então é bom demais. Tem jeito?

Mas vou colocar um cd do Vinicius de Moraes aqui pra ninguém dizer que não cumpri com minhas obrigações. Rá rá.

20090618

GPSssês e procrastinação

Uma epoch é um dado instante no tempo, um momento exato em que um satélite emite uma onde de 19 cm para um receptor GPS. Se essa onde estiver se refletir em outro lugar que não a antena do receptor e então ser absorvida pela antena, esse efeito se chama multipath.

Eu tenho que entender esses processos. É o mais próximo de Star Trek que eu devo chegar por um tempo. Minha apresentação do projeto é na próxima sexta dia 26, e desde um tempo atrás vem se arrastando uma novela mais longa que a trilogia da Thalia (Maria do Bairro, Maria Mercedes e Marimar). A questão é: o que fazer. Na verdade a questão ERA, agora eu sei. O problema é explicar pros outros. Em inglês. Se possível, aliás eu DEVO facilitar a vida de todos falando também em japonês.

Fui enganado. Me disseram que eu não ia precisar de japonês tanto assim. Bom, é verdade que não é o fim do mundo. Mas outra novela (menos longa, tipo A Próxima Vítima ou aquela do Sassá Mutema) terminou um dia desses, tradução de um texto para apresentar na aula de política florestal (sic!). Terrível, no que eu me meti?

O pseudorange é uma medida temporal que causa um desvio espacial. Ocorre quando os relógios do satélite e do receptor GPS não corrigem o horário em que a informação foi enviada. Calcula-se multiplicando a propagação do tempo (aparente) pela velocidade da luz.

O tempo te se desfeito ultimamente. E lá um japonês filha da puta acende a luz do laboratório. Quem te pediu? Porra são 9 da manhã, tá claro, é verão e esse viado vem e bota a fluorescente no toco. Mas como eu dizia, o tempo tem se desfeito total. E o meu tédio aumenta por que por mais que hajam coisas pra fazer, preciso priorizar essas coisas, preciso fazer tudo certinho. Tenho que me disciplinar, pelo menos até a apresentação estar consumada. Meu sensei tem me ajudado. Ele é legal, às vezes age como um orientador MESMO, às vezes não... Já deu umas ratadas comigo, mas é humano, então tudo bem. Eu tembém vou dar umas ratadas, possivelmente hehehe

Assisti de novo a trilogia nova de Star Wars, provavelmente por que estava jogando Soul Calibur 4 no meu xbox recém-flasheado e tem o Darth Vader e o Yoda como personagens extras. Aí me deu a nostalgia de um bom filme de ficção (apesar de o Anakim, ator e não personagem, ser um bundão sem talento). Também pra sair deste tédio terrível.

Melhor voltar pros meus artigos cientrífugos. Sabia que no polo norte você não pode ver os satélites (assumindo que eles fossem visíveis) de GPS, por que a constelação deles é organizada de tal maneira que lá eles apareceriam no horizonte. Legal né?

É. É merrrmo.

20090615

Sintonia

Laboratório. Na verdade, sala de estudos: computadores, livros, escrivaninhas - umas organizadas, outras nem um pouco. Milhões de papéis, cds, velhos drives de disquete 3,5 e 5&1/4 pegando poeira em cima de alguns armários. No iMac no centro da sala, perto da grande mesa usada para refeições apressadas ou conversa fiada no fim do dia aqueles tentáculos se debatem, saindo de uma bola de carne e músculos estranha que brilha em preto, branco e infra-vermelho. Com as forças que estão sendo manipuladas, a realidade pisca por alguns instantes e as cores se invertem como em um velho negativo de filme fotográfico.

Os colegas não dão a mínima, Alex também parece completamente despreocupado, mas nota o acontecimento. Alguém está simplesmente realizando um experimento. Mas quem? Súbito, do portal da luz por onde a forma de vida se debate, sai um homem, vestindo um jaleco branco de laboratório. Ele tem rosto ocidental. Não é japonês, não fala japonês e sim português, mas sem o sotaque detestável de qualquer região, algo linear como Willian Boner apresentando o Jornal Nacional.

Ele sai do portal zonzo, parece que vai cair a qualquer momento. Embora não haja nenhuma marca e nem fumaça, ele dá a impressão de ter sido chamuscado, provavelmente em sua viagem interdimensional. Os membros do laboratório continuam impassíveis, concentrados em seus afazeres ou procrastinações. Alex levanta. O homem de jaleco olha zonzo, poderia dizer que andou bebendo, mas os olhos mostram que uma longa jornada se empreendeu, mas não se sabe aonde e nem por quanto tempo.

"É tudo uma questão de sintonia, Alex... É tudo uma questão de onde você quer se ligar, do que você quer sentir..."

E naquele momento com aquelas palavras, a sensação de terror outrora ignorada ou simplesmente despercebida ataca o coração do rapaz, junto com um assombro digno do entendimento. Alex compreende, Alex sabe. Entende o que o homem diz. E quando acordou no seu quarto aquela manhã já clara desde as 4:30 por causa da primavera, seu dia foi um pouco mais feliz.

20090606

For Tension

Descendo a ladeira de perto de sua casa, vai lembrando atentamente da canção:

I've got bruises from where you brushed against me
They feel good and i'm history

Engraçado sentir-se assim, encontrar referências em algo tão distante de seu cotidiano. Alguém em outro lugar distante, com outra vida, escreveu essas coisas. Será que passou pelo mesmo? De forma bem parecida ou nada a ver? Será que o autor só imaginou?

Here comes a shower of sparks
That will one day give us away

Tudo bem, esta parte não lembra nada, mas o ritmo não sai da cabeça. Aquelas linhas decoradas, encontradas na internet por falta de habilidade com o inglês. Antes já gostava da música embora não entendesse bem, mas agora que viu que tem algo a ver, ficou mais feliz. Chegando no fim da ladeira, segue por uma ruazinha que só tem casas de um lado, do outro há um terreno baldio. Tão comum essa paisagem... Tantos lugares na cidade tem essa mesma paisagem. As árvores, o mato crescendo e o lixo abandonado pelos moradores.


For tension, Guess what i use?
For tension, You can use me
For tension, Your attention
For tension your attention's all i ever need

Ah, aqui ele alonga no final, tipo, eveeeeeeer. É um cantor muito bom, a voz dele é diferente, mas ele sabe usar, ele sabe cantar. Enquanto atravessa o terreno baldio pra pegar o atalho pensa como seria bom descarregar a tensão mesmo. Mas a atenção de alguém em especial se faz desnecessária. Esse alguém não merece a atenção de ninguém. E nem que alguém receba sua atenção. Não. Lembrou de outra música "Ódio, ódio, ódio". Mas concentra-se e desvia das poças de lama do atalho que atravessa o terreno baldio.

Do something wrong you must be joking
Do something right i'm only kidding myself
You take a look down off the shelf
And change address and i can't help myself

Ah, isso sim! Isso é muito verdadeiro. É tão difícil saber o que fazer. Quando era criança achava que os adultos sempre sabiam o que fazer. Algo do tipo, agora eu tenho 22, 27, 35 anos, sei lá, eu já sei o que fazer da minha vida. Eu sei como me comportar e como agir, o que fazer certo e o que não fazer errado. A decepção foi ver que a maioria dos adultos é mais perdida que a maioria das crianças... Que ninguém tem certeza de nada. Mas segue-se com a vida. E no fim do terreno baldio, a outra ruazinha leva pra padaria. Segue balançando a cabeça negativamente.

For tension your attention's all i never need

Conclui que é realmente isso. A melhor coisa foi o que aconteceu. Uma vez leu que a iluminação pode vir a qualquer momento, não escolhe situação. No mesmo dia dizia que uma vez um mulher teve a iluminação total enquanto lavava as louças. Deve ser verdade, por que agora, recebendo aquele saco de papel marrom, cheio de pães pro jantar, percebeu o quanto deveria ter largado tudo há tempos atrás. E aí, começou a lembrar de outras canções. E voltou feliz.