20091226

Começo a ver um despropósito neste blog. Acho que vou backupar e fechar esta parada aqui...

20091117

Arubaito

É a palavra japonesa pra "trabalho temporário", emprestada do alemão arbeit (acho que é isso). Pois é, comecei um. Um amigo meu estava trabalhando nesse bar, que ele achou através de um anúncio de oferta de baito, foi lá e me falou que era ótimo e que estavam precisando de alguém pros finais de semana. Como normalmente eu GASTO dinheiro no fim-de-semana resolvi ganhar algum... e tem sido legal!

Primeiro os interesses financeiros, esse trabalho paga como poucos, 1000 iens por hora, quando a média de um clube bem movimentado é 800. Trabalho 5 horas por noite todo sábado e domingo, ou seja, de 40 a 45 mil ienes por mês (comecei neste mês de novembro) que dá uns 750 reais mais ou menos. Nada mal.

Segundo, o barzinho é meio chique, pra quem tem grana. Só o "charge", a graninha só pra sentar é 800 iens. Dois barmen profissionais trabalham lá, um inclusive ganhou um concurso recentemente. Essa é outra coisa boa, eu não sirvo bebidas. O que eu tenho que fazer?

1 - Lavar a louça. E enxugar. Parece simples, mas como os caras são profissionais, tem todo um jeitinho de fazer tudo e eles estão sempre observado se eu estou fazendo como eles dizem.
2 - mais importante - conversar com os clientes. O dono do bar usa o "fator gaijin" ou seja, o cliente fica curioso com um gaijin trabalhando ali, puxa conversa, coisa vai coisa vem, o cliente bebe mais, as vezes paga uma rodada e assim o dinheiro vai rolando.

Lógico, tenho que andar apresentável, cabelo preso e penteado, sapato social e o uniforme preto do bar, mas não dói e nem me incomoda. O que me tem sido mais interessante não é o dinheiro em si, mas as pessoas que eu tenho encontrado.

Por que? Bom, aqui no Japão, mais que no Brasil, é muito fácil perder a fé na humanidade e querer mais é que o bicho-homem se exploda. Bom, nesse barzinho perdido nos cantos de Kyoto, eu já conheci gente extremamente interessante. De verdade! Lógico que na maioria das vezes vai alguém que se interessa um pouco, conversa e acaba ali. Mas eu conheci uma moça que saca tudo de filmes, animes, música. Pô, a gente tava conversando sobre filmes tipo Os Intocáveis, Trainspotting, etc. AONDE que neste país eu encontro gente assim com facilidade? Na faculdade estão as mentes mais fechadas que eu já conheci. Pelo jeito tenho que sair mais.

E o que é mais legal: mesmo com meu japonês fuleiro, as pessoas querem se comunicar, querem falar comigo. Me sinto bem.

Mas outro dia... Ah. Eu vi um anjo. Eu vi a mão de Deus e abaixei a cabeça em arrependimento. Jesus, que garota linda. Ela veio com os pais que são amigos do dono do bar, ela me deu um sorriso que me fez passar dois dias mal. Foi tão simpática que passei dois dias triste de saber que existe tanta beleza no mundo. Uma tristeza boa. Infelizmente minhas obrigações profissionais e a presença dos pais dela me impediram de qualquer ato, mas o que eu tive dela foi o suficiente, e até onde eu posso analisar, ela teve a intenção de me deixar algo. Uma flecha no meu coração...

Nos outros dias normalmente vem uns clientes costumeiros, tem um senhor lá que só bebe chá mas paga rodada pros trabalhadores direto. Outro dia voltei bêbado de tanto saquê, parei no boteco brasileiro e lá o cara me dá uma taça de vinho. Fui embora antes que não pudesse andar de bicicleta.

No fim, tem sido divertido, às vezes os barmen são muuuuito sacais, educados demais, mas é o clima do bar e o jeito japonês de ser... Nem esquento mais.

Oh, e o Superchunk vem aí!!!! Já estou com meus ingresso aqui na mão! Vou lá cantar com eles

I heard this song
On the radio once
I stole a bar
I stole a drink
I used the last straw from my ink
Sometimes I fear, I neglect to think

Cool, do disco Tossing Seeds

20091031

Coisas Legais

Brendan Benson - Alternative to Love. Muito bom, muito bom.


"Because hard luck is all that I had
And I felt stuck in the mud
I was a sad and sorry case
But I turned about face
And I feel great
I'm gonna run and I won't brake
For nothing, no one, just wait
Til I feel like myself again"








Peter Bjorn and John - Writer's Block

"If i told you things i did before
told you how i used to be
would you go along with someone like me?
if you knew my story word for word
had all of my history
would you go along with someone like me?"









The Pidgeon Detectives - Wait for Me

"I’ll never take it back
I’ll never take it back
I didn’t mean to make you cry
I’m not sorry
No, I’m not sorry
No, I’m not sorry
No, I’m not sorry "





The Cribs - Men's Needs, Women's Needs, Whatever
"Leave me alone, I'm just your enemy
I've seen it all, I've seen your jealousy"











E no fim, algo bizarro que anda rolando em alguns sites. Depois do Sub-Zero brasileiro, Leona a Assassina Vingativa e tantas outras, o Highlander brasileiro:

Copiado do http://www.naosalvo.com.br/vc/jacque-o-hi/


Beetlebum

Beetlebum
What you've done
She's a gun
Now what you've done
Beetlebum
Get nothing done
You beetlebum just get numb
Now what you've done
Beetlebum


And when she lets me slip away
She turns me on all my violence is gone
Nothing is wrong
I just slip away and I am gone
Nothing is wrong
She turns me on
I just slip away and I am gone

Beetlebum
Because you're young
She's a gun
Now what you've done
Beetlebum
She'll suck your thumb
She'll make you come
Coz, she's your gun
Now what you've done
Beetlebum

And when she lets me slip away
She turns me on all my violence is gone
Nothing is wrong
She turns me on
I just slip away and I'm gone


Para Asami-chan, se um dia ela resolver ler este blog. O fim terminou, enfim.
For Asami-chan, when you finally try to see this blog, the break is over, the end is over also.
これは麻美ちゃんのために。 本当によかった。 かわいそう終わりました。

20091019

Fome - parte I

19 de abril
Voltei cedo do trabalho hoje, não estava me sentindo bem. Na verdade estava, mas de repente me deu um mal estar enorme, me senti observado, cercado de gente agressiva e meu estômago começou a pesar como chumbo. Falei com o chefe que me perguntou se estava tudo bem por que eu estava muito pálido. Liberado, fui embora como um robô, quando vi estava em casa, parecia que só tinha dado um passo da porta do trabalho e tinha chegado em casa, não passado pelos usuais dois trens do caminho. Resolvi dormir e agora acordei com muita fome. Acho que vou pedir uma pizza.

20 de abril
A pizza de ontem não ajudou. Já é de manhã, não fui trabalhar e nem consegui dormir direito. Tenho muita fome.

São seis da tarde e comi como um bicho. Comprei bolos, salgadinhos, sucos e pedi mais pizzas. Nada. A fome não passa. Não sei o que fazer.

Dez horas da noite. Já provoquei duas vezes de tanto comer. Achei umas pílulas pra dormir que a Érica esqueceu aqui quando foi embora, espero que possa dormir melhor.

21 de abril
Acordei ao meio dia, o lado bom é que as pílulas funcionaram. O lado mal é que estou com uma terrível indigestão e ainda com fome. Mas tentando ficar quieto e organizar meus pensamentos, percebi que é algo não exatamente no estômago. A fome que eu tenho é outra. A sensação me incomoda muito, vou tomar mais pílulas. Despluguei o telefone.

22 de abril
As pílulas acabaram. Mas não adiantaram como ontem. Dormi algo em torno de 4 horas só. Fiquei rolando na cama, estômago cheio e um desconforto. Não acho nehuma posição pra ficar quieto e relaxar, minhas roupas me incomodam e ficar nu me incomoda ainda mais. Tentei tomar um banho quente e me irritei ainda mais. Não consigo comer também.

Agora já é noite e acho que já sei. Fazem três meses que a Érica me deixou, desde então não tenho procurado ninguém. Deve ser essa solidão então. Quero dizer, preciso dar uma. Acho que é tesão e não fome. Vi pela internet que tenho uma boa grana guardada então acho que vou chamar aquela menina do flyer que deixaram aqui outro dia.

23 de abril
Ela passou a noite aqui, me comeu um bocado de grana e ainda não estou satisfeito. Preciso de mais. Ela foi embora mas deixou uns números de telefone pra mim, disse que algumas amigas dela estão em tempos difíceis e poderiam vir aqui. Liguei pra três delas. Saí de casa só pra ir ao caixa eletrônico. Aguardo ansiosamente.

24 de abril
Uma delas ainda está aqui dormindo, exausta. A primeira saiu no meio da noite assustada e dizendo que não aguentava mais. A segunda tentou ficar mais, mas disse que não queria mais, já tinha dinheiro suficiente. Essa que ficou deve ir embora quando acordar. Eu também já não aguento mais. Estou esgotado, meu membro está vermelho e dolorido e quando urino chega a doer. Não era tesão. Tenho fome.

25 de abril
Ontem comprei mais pílulas pra dormir. Só por garantia também passei em um traficante que já foi meu amigo um dia e comprei um pouco de erva. Nunca gostei muito, fumei algumas vezes na faculdade ou por aí, mas hoje o caso é sério. Preciso relaxar. Preciso.

26 de abril
Acordei em uma poça de vômito, acho que tomei remédios demais. Minha cabça gira sem parar e mal consigo escrever. Tenho sorte de não ter morrido. Não quero ir ao médico, vou ficar aqui quietinho.

27 de abril
Não sei o que fazer. Fome. Fome. Fome. Fome. Fome.

28 de abril

29 de abril

30 de abril
Não dormi, esqueci que tinha um diário. Mas não fiz nada interessante, não fiz nada. Fiquei na cama sentindo a fome, sentindo a dor. Não sei o que fazer. Vou sair um pouco daqui, preciso de ar novo.

01 de maio
Não foi uma boa idéia. Absolutamente. Eu não devia ter saído. Eu vi essa mulher passando por mim, e ela cheirava tão bem. A fome me fez segui-la, andei bem quieto atrás dela, sentindo o perfume. Cheirando. Estava bom, eu não sentia dor, eu me sentia bem. Mas ela percebeu, ela virou e gritou e eu saí correndo. Me escondi em um beco. Voltei pra casa. Preciso disso, daquele cheiro.

02 de maio
O que eu fiz? O que? Ontem depois de escrever saí de novo. Saí e encontrei aquela mulher de novo, ela não me viu e estava escuro. Perto do mesmo beco onde me escondi. Eu puxei ela, tapando sua boca, coloquei ela na parede, de costas pra mim, ela chorava e dizia que não ia reagir, que só queria viver. Eu disse que tinha fome, eu disse que precisava dela, do cheiro dela. Segurando os pulsos dela eu cheirei o pescoço, passei muito tempo ali, ela chorava baixinho mas não reagia. Depois de algum tempo eu parei, me ajoelhei e comecei a chorar. Não era o suficiente, a fome continuava. Ela percebeu que eu a soltara e fugiu. Eu voltei pra casa. Tenho fome.

03 de maio
Dói escrever. Acho que desmenti alguns dedos. Meu punho esquerdo com certeza está quebrado em alguns lugares. Desesperado, comecei a quebrar algumas coisas em casa. Com socos, com chutes, com minha cabeça, pelo amor de Deus. Estou com vários cortes, estou sentindo o gosto das lágrimas misturadas com sangue da minha testa, eu cheiro mal, não tomo banho há dias. Tenho fome.

04 de maio
Arrumei tudo, tudo está limpo, tomei banho, fiz a barba. Fiz curativos, coloquei meus dedos no lugar (o que doeu muito e agora minha mão está inchada). Acho que vou ao médico.

05 de maio
Uma mão engessada até perto do cotovelo, alguns pontos no rosto e no peito, mas estou fisicamente saudável. Ele me indicou um psiquiatra. Fui no mesmo dia e ele me veio com a conversa de "análise" e "tempo pra avaliar". Não sei o que fazer, tenho fome.

06 de maio
Voltei ao trabalho apenas para ser demitido com justa causa, o que não foi surpresa. Deixei tudo o que tinha lá. Acho que vou mudar de casa também. Preciso pensar, a fome incomoda muito.

07 de maio
Como tudo que ficará nesta casa para quem abri-la um dia, este diário também ficará. Tudo referente ao periodo anterior da fome foi queimado, junto com os diários dos anos anteriores. Daqui nada levo, não deixo dívidas e nem responsabilidades. Parto daqui com fome. Tenho fome.

Tenho fome.

20091014

No restaurante chinês - parte II - Depois do restaurante

Seguiu para o norte da cidade, intrigado com o que o velho do olho feio havia lhe dito. Tempo pode ser muito relativo ao que se está fazendo, nem sempre um tempo de diversão passa rápido. Naquele momento estava mais entediado do que qualquer outra coisa, não havia muito a se fazer então continuou seguindo o norte (o que é deveras fácil naquela cidade cercada por montanhas e com uma leve inclinação naquela direção). Parou em um semáforo, impaciente sem motivo já que não havia o por que de tanta pressa. Olhando para os lados, como as pessoas apressadas costumam fazer quando estão impedidas de seguir em frente, viu uma pequena loja com grandes vitrines.

A loja era toda branca, desde as paredes até o conteúdo em exibição. Ali eram vendidas cortinas e roupas de cama, mas estranhamente todas brancas. Também notou que na vitrine haviam dois manequins, um com um vestido que lembrava um vestido de noiva colado ao corpo atlético sintético e sem cabeça, o outro da mesma maneira, mas trajando um fraque branco que caía perfeitamente no modelo.

De uma janela próxima, no alto do prédio talvez, começou a ouvir o gemido de uma guitarra reggae cadenciando a voz afro da canção. Era uma tarde morna e diante daquela cena, parou por um instante esquecendo do mundo ao seu redor. Dentro da loja uma mulher entrava por uma porta nos fundos e caminhava entre as prateleiras alisando os tecidos suavemente, cabeça baixa e cabelo cobrindo o rosto. Ela se vestia toda de preto, uma saia de um tecido leve e brilhoso como seda, uma blusa do mesmo material mas com bordados e pequenos babados. Um par de sapatos de salto alto, toda peça de roupa e acessório da mesma cor dos cabelos cortados na altura dos ombros, contrastando com a pele branca que evitou o sol por muito tempo.

Seu passo era triste e lento, as mãos que tocavam os produtos da loja eram pequenas. Uma presença intrigante naquele pequeno mundo branco exposto ao mundo através daquelas enormes vitrines. Ela pára de repente, maneia a cabeça como que para ouvir algo, como se percebesse algo muito sutil se aproximando, seguia se movimentando com leveza e cautela. Olhou fixo para ele. O rosto sério, os olhos orientais abertos e sobrancelhas finas e bem cuidadas. Ela andou em direção à vitrine como um anjo negro andando através de nuvens de cortina e lençóis. Entre os dois manequins, ela põe as mãos no vidro, como que esperando que o gesto fosse retribuído, mas antes que qualquer reação fosse esboçada por ele, os olhos dela se contorceram e a boca entortou como que em dor. Há um grito silencioso sendo emitido, dentro da loja com certeza está ecoando com todas as forças daquela garganta delicada, mas do lado de fora os únicos sons são o reggae da janela e o vento nas folhas das árvores, um motor de carro distante a respiração dele mesmo.

Ela grita apoiada na vitrine. Ele finalmente entende a situação, seu cérebro processa que aquilo é de fato real , seus olhos se movem muito rápido, assustados e um calafrio lhe sobe a espinha. Virando noventa graus, atravessa a rua o mais rápido que pode, sente a necessidade animal de fugir daquela cena, daquela pequena loucura perdida em um cantinho do mundo. Não olha para trás, apressando o passo, mas vê claramente em sua mente que a mulher está de joelhos, com as mãos apoiadas na vitrine, chorando. Enchendo a bainha por fazer do manequim de fraque de lágrimas. Segue em frente, com medo.

20090911

Mais filmes

Caros acompanhantes do Banzeiro, venho aqui graciosamente falar de dois dos meus filmes favoritos, que recomendo a vocês com muito carinho, atenção e rock and roll!

O primeiro é o saído do forno mas já ficando morno THE BOAT THAT ROCKED, deste aníssimo de 2009 que conta a história da principal rádio pirata inglesa dos anos 60, portadora do nada menos melhor nome possível já inventado para uma rádio, a Radio Rock. Quando John Peel ainda nem pensava em se entranhar na BBC pra fazer a história do rock moderno, esses caras transmitiam tudo de bom e do melhor da época, que também está na perfeitíssissima trilha sonora do filme, que de cara coloca pra você The Kinks e ao andar da carruagem, ou melhor, do barco, ainda acontece Buddy Hollie, Dusty Springfield e outras coisas maaaassa pode crê morô dos anos 60. Ah o lance do barco é que a rádio ficava em um barco, daí o nome do filme! Recoooooomendado!

Outro que vale ver e rever sem enjoar é o 24 HOURS PARTY PEOPLE, que conta nada menos que a história da Factory, a gravadora que lançou entre outras coisas Joy Division, New Order, Happy Mondays e outras coisinhas que aqueles bebedores de chá de humor debochado fazem de melhor. O filme foca principalmente no Joy Division/New Order mas também conta os percalços do Tony Wilson, o desbravador do pop britânico dos anos 80. Muito legal!

Já que estou de bom humor nestas 06:55 da manhã outonal de Kyoto, deixo mais um pedaço: CONTROL, do ano passado. Esse permanece no assunto do Joy Division, com foco no ídolo dos adolescentes dark e dos adultos que são depressivinhos com carvão dentro de seu âmago e lamúrias milpor este mundo injusto, cruel e capitalista e pode crê. Estou falando do falecido Ian Curtis (você lê Aian ou Ían?) . O filme é bonito, todo em preto e branco, baseado inclusive nos depoimentos pessoais da Sra. Viúva Curtis, mas é deprê e tal. Assista num dia de chuva, com a namorada ou com aquela que você está pretendendo (o famigerado golpe do filme deprê, só não pior que o golpe da Igreja ou o golpe do passeio na praça).

E por último, se você quer dançar hoje, amanhã ou depois ou simplesmente fazer uma coreografia na cadeira de seu PC que está com a almofada gasta e o apoio das costas vive frouxo, escute está musiquinha do LCD SoundSystem chamada Us v. Them e cante

Clooooooooooooooooouuuuuuuuuud block out the sun! Over me... Over me...

Techau!